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A ameaça das grandes constelações de satélites para a astronomia, segundo novo estudo

01 de Julho de 2026, 21:07 0 visualizações
A ameaça das grandes constelações de satélites para a astronomia, segundo novo estudo

Com o avanço da tecnologia em todos os campos, grandes empresas que dominam o mercado da comunicação por satélite têm cada vez mais divulgado seus planos de tornarem o espaço ao redor do planeta uma grande “constelação” de satélites. Apesar do desejo, os planos podem prejudicar — e muito — a astronomia, caso tornem-se verdade. Esse resultado vem de um recente estudo do Observatório Europeu do Sul (ESO), que publicou um alerta nesta quarta-feira, 1. Segundo eles, o número destes dispositivos no céu não deveria ultrapassar os 100 mil. 

O estudo, publicado na revista Astronomy & Astrophysics, é pioneiro ao avaliar as consequências que constelações gigantes e de brilho extremo teriam nas observações astronômicas, já que com o aumento dessas máquinas “voadoras”, o céu noturno poderia ser clareado, além de gerarem possíveis reações para a saúde da humanidade e para o meio ambiente. 

O número de satélites tem crescido de forma rápida nos últimos anos. A SpaceX, empresa de exploração espacial do bilionário Elon Musk, já conta com cerca de 14 mil dessas máquinas, a maioria para o funcionamento efetivo dos aparelhos da Starlink, companhia também do bilionário que promove internet rápida de alta velocidade. Apesar do “baixo” número atual, o futuro para a astronomia pode ser assustador: Musk pretende colocar em órbita um milhão de satélites adicionais, destinados a datacenters espaciais. 

Duas imagens circulares em preto e branco do céu noturno. À esquerda, a Via Láctea é visível como uma faixa brilhante de estrelas. À direita, o céu é mais claro, com menos estrelas visíveis, indicando poluição luminosa. Ambas as imagens têm bordas superiores irregulares, sugerindo obstruções.
Diferença esperada na observação astronômica, com adição dos satélites da Reflect OrbitalESO/Divulgação

A Starlink não é a única. Empresas como a E-Space, a Reflect Orbital e as constelações chinesas CTC-1 e CTC-2 já contam com adicionar centenas de milhares de satélites. Só a Reflect Orbital quer adicionar 50 mil satélites até 2035, todos similares a espelhos, que refletem luz solar em áreas específicas por razões diversas, de resgates à energia. 

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“Quando um satélite passa diante daquilo que estamos observando, deixa uma esteira luminosa na nossa imagem, ocultando tudo o que está atrás”, explica Olivier Hainaut, astrônomo do ESO e autor do estudo. “Há alguns anos, isto ocorre diariamente, mas ainda é suportável. No entanto, se passarmos de 14 mil para 1,7 milhão de satélites, realmente vamos ter problemas”, declarou o pesquisador à AFP, mostrando especial preocupação com aqueles projetados para o brilho extremo.

Mesmo quando não apontam diretamente para o observador com seus espelhos, a luz dispersa pelos satélites da Reflect Orbital faria com que aparecessem no céu como milhares de Vênus, o famoso astro visível a olho nu, conhecido como “estrela da manhã”. “Seja em Auvergne (na França), no Saara (na África) ou no deserto do Atacama (no Chile), o céu deixaria de ser um céu puro e pareceria com o que se observa nos arredores de uma cidade”, explica o pesquisador.

Para evitar consequências dramáticas para a astronomia terrestre, o estudo sustenta que o número de satélites em órbita deveria se limitar a 100 mil e que estes deveriam ser suficientemente pouco brilhantes para não ficarem visíveis à olho nu quando observados de um lugar escuro.

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A preocupação frente o desastre astronômico levou à organização, em colaboração com a Royal Astronomical Society do Reino Unido e a União Astronômica Internacional, a enviar um informe para a Comissão Federal de Comunicações dos EUA, organismo encarregado de examinar os pedidos de autorização apresentados pela SpaceX e pela Reflect Orbital. 

“Agora, a bola está no campo da FCC e esperamos ver quais decisões vai tomar a respeito destes dois expedientes. Para a astronomia óptica, trata-se de uma ameaça existencial e esperamos que os reguladores compartilhem este ponto de vista”, afirmou, em nota, Betty Kioko, encarregada de assuntos institucionais do ESO.

“Os astrônomos não têm absolutamente nada contra o uso dos satélites. A questão é como conviver”, ressalta Hainaut, mencionando uma “colaboração razoavelmente boa com os fabricantes de satélite, em particular com a SpaceX”, onde “estão realizando um grande esforço para minimizar o impacto de seus satélites”.

(com AFP)

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