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A aposta do ministro acusado de importunação sexual para se livrar da degola no STJ

28 de Junho de 2026, 14:33 0 visualizações
A aposta do ministro acusado de importunação sexual para se livrar da degola no STJ

Parecia improvável, mas parte dos ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) se sensibilizou com a defesa apresentada pelo ministro afastado Marco Buzzi, acusado de importunação sexual contra uma adolescente e uma ex-servidora da Corte, e que deve ter seu caso analisado por uma sindicância interna do STJ em agosto. O motivo é que magistrados ouvidos sob reserva por VEJA consideraram que, no caso da adolescente, a defesa de Buzzi apresentou provas periciais que semearam a dúvida sobre o que de fato ocorreu.

O caso da importunação sexual foi revelado pela coluna Radar, de VEJA. Em janeiro, a convite do ministro, a jovem foi levada junto com a família para passar férias na Praia do Estaleiro, em Santa Catarina. A mãe da vítima é uma conhecida advogada no círculo jurídico de Brasília e São Paulo. No mar, quando os dois atingiram uma profundidade que escondia os corpos na água, segundo o depoimento da adolescente, “Marco puxou a declarante pelo braço e a virou de costas para si e pressionou o quadril e nádegas da declarante contra seu pênis e afirmou que a achava ‘muito bonita’”. Ainda conforme a oitiva, o magistrado “passou a mão em suas nádegas”.

Na defesa apresentada aos ministros do STJ, há levantamentos periciais que apontam, por exemplo, que no dia 9 de janeiro, data em que a vítima diz ter sido alvo de investidas impróprias, o mar no local onde ambos teriam entrado não permitiria que os corpos tivessem cobertos, como registrado no depoimento. Também foram anexadas imagens de câmeras de circuitos de segurança que mostram ambos caminhando normalmente, em aparente tranquilidade, após o episódio. A defesa de Buzzi também informou aos demais ministros do tribunal que o magistrado tem problemas de saúde.

Segundo integrantes do STJ que definirão o futuro de Buzzi, ouvidos por VEJA sob condição de anonimato, as provas periciais são fortes o suficiente para fazê-los ter dúvida da integralidade do depoimento da vítima. Ainda assim, disseram, devem votar pela punição do ministro por considerar que outro episódio, em que uma servidora terceirizada disse ter sido alvo de importunação dentro da Corte, torna a situação de fato insustentável. A defesa também atacou com elementos periciais a versão da segunda vítima, como registros de catracas, mensagens de WhatsApp e vídeos de sessões, entre outras evidências, que iriam de encontro a versões apresentadas durante a instrução do processo.

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