A coincidência temerosa – fora dos campos – do embate entre Brasil e Noruega
O Brasil enfrenta a Noruega no próximo domingo, 5 de junho, nas oitavas de final da Copa do Mundo 2026. A fase do mata-mata é clara: perdeu, volta para casa. Para além dos confrontos em campo que têm um histórico nada favorável para a seleção brasileira — em quatro partidas oficiais, o Brasil nunca venceu a Noruega, tendo perdido duas e empatado outras duas –, há outra derrota lamentável para o país nórdico: o Oscar 2026.
Na edição deste ano do Oscar, o Brasil foi representado pelo filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura. Apesar de ser um forte concorrente, o longa perdeu a almejada estatueta dourada para Valor Sentimental, drama norueguês dirigido por Joachim Trier com Renate Reinsve, Inga Ibsdotter Lilleaas e Stellan Skarsgård.
Protagonizado por Wagner Moura, O Agente Secreto foi indicado a quatro categorias na maior premiação do cinema: melhor filme, filme internacional, ator para Moura e na inédita melhor direção de elenco para Gabriel Domingues. Com isso, o filme se juntou a Central do Brasil na liderança do ranking de títulos brasileiros com mais indicações ao Oscar. Além do brasileiro e do norueguês, também disputavam a estatueta o tunisiano A Voz de Hind Rajab, o espanhol Sirât e o francês Foi Apenas Um Acidente.
Qual é a história de O Agente Secreto?
Protagonizado por Wagner Moura, o filme acompanha a história de Marcelo, um professor universitário que retorna para sua Recife de origem sob disfarce com o intuito de pegar o filho e recomeçar em outro lugar. O ano é 1977, em plena ditadura militar, e o estado de espírito opressor paira sobre o Brasil, abrindo brechas para criminosos agirem em nome de interesses próprios sob a escolta do Estado. Nessa atmosfera misteriosa e de segredos ocultos, Marcelo encontra na capital pernambucana outras pessoas de passado oculto, que se abrigam em um prédio administrado por dona Sebastiana (Tânia Maria). Nessa trajetória, diversas histórias se desenrolam em paralelo com a do protagonista, algumas trágicas, outras cômicas, algumas até surreais, mas todas embaladas pelo colorido do país em plena semana do Carnaval.
Qual é a história de Valor Sentimental?
No belíssimo longa do diretor norueguês Joachim Trier, conhecido pelo intrigante A Pior Pessoa do Mundo, de 2021, Stellan Skarsgård dá vida a Gustav Borg, um cineasta em decadência que almeja voltar aos holofotes com um filme novo e íntimo sobre seus traumas de infância. A produção teria ainda uma função mais nobre: pai distante, ele quer se reconectar com as duas filhas, Nora (Renate Reinsve) e Agnes (Inga Ibsdotter Lilleaas), enquanto elas processam o luto pela morte da mãe. Para isso, força uma convivência, ao eleger a casa onde as duas cresceram como cenário, e oferece o papel da protagonista para a mais velha, Nora, que é atriz de teatro. Amargurada, ela recusa a vaga, que é preenchida por uma estrela de Hollywood (Elle Fanning) — curiosamente, o diretor cumpre com a atriz gringa a função de pai melhor do que com as próprias crias.
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