A década de caos político no Reino Unido desde o referendo do Brexit
O Reino Unido caminha para ter seu sétimo primeiro-ministro em uma década após a renúncia de Keir Starmer, anunciada nesta segunda-feira, 22. A saída do líder trabalhista encerra mais um capítulo de instabilidade política iniciado com o referendo do Brexit, realizado há exatos dez anos, quando os britânicos decidiram deixar a União Europeia (UE).
A votação de junho de 2016, aprovada por 52% dos eleitores, provocou uma das maiores crises políticas do país desde a Segunda Guerra Mundial. O então primeiro-ministro, David Cameron, que havia defendido a permanência no bloco europeu, renunciou logo após o resultado e foi sucedido por Theresa May.
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A nova premiê tentou consolidar apoio para implementar a saída da UE, mas viu sua estratégia fracassar após convocar eleições antecipadas em 2017. Os conservadores perderam a maioria parlamentar e passaram a depender do apoio do Partido Unionista Democrático da Irlanda do Norte.
O impasse em torno dos termos do Brexit levou à queda de May em 2019. Seu sucessor, Boris Johnson, conquistou uma ampla vitória eleitoral com a promessa de concluir o processo de saída da União Europeia. Após mais de três anos e meio do referendo do Brexit, em 31 de janeiro de 2020, ocorreu a saída formal da UE, tornando o Reino Unido o primeiro país a deixar o bloco europeu.
Apesar do triunfo político, Johnson enfrentou uma série de escândalos durante seu mandato, incluindo controvérsias relacionadas à gestão da pandemia de Covid-19. Pressionado por ministros e parlamentares, acabou deixando o cargo em julho de 2022.
A sucessora, Liz Truss, teve uma das passagens mais curtas pela chefia de governo britânico. Seu plano econômico baseado em cortes de impostos provocou forte reação dos mercados financeiros, elevando os custos de financiamentos. Ela permaneceu apenas 44 dias no cargo.
Rishi Sunak assumiu em outubro de 2022 prometendo restaurar a estabilidade política e econômica. Apesar de ter melhorado as relações com a União Europeia ao negociar um acordo sobre regras comerciais para a Irlanda do Norte, seu governo enfrentou dificuldades para reverter a perda de apoio dos conservadores.
Renúncia de Starmer
Diante da ampla vantagem do Partido Trabalhista nas pesquisas, Sunak convocou eleições para julho de 2024. O resultado foi uma vitória esmagadora de Keir Starmer, que chegou ao poder prometendo encerrar o ciclo de instabilidade política que marcou os anos pós-Brexit.
Starmer acabou com 14 anos de governos conservadores no Reino Unido, mas sua popularidade despencou após vários escândalos e devido a uma economia estagnada. Muitos integrantes do Partido Trabalhista pediam sua renúncia.
O primeiro-ministro finalmente cedeu e renunciou ao cargo nesta segunda-feira, poucas horas antes de seu principal rival no partido, o prefeito da Grande Manchester, Andy Burnham, tomar posse como parlamentar, o que permitiria um desafio aberto à liderança de Starmer entre os trabalhistas.
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Starmer também foi afetado pela decisão de nomear Peter Mandelson para o cargo de embaixador em Washington devido a seus vínculos com Jeffrey Epstein, o falecido financista condenado por manter uma rede de exploração sexual de mulheres, muitas delas menores de idade.