A encruzilhada do PT para oferecer um palanque a Lula em Minas Gerais
Após o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) ter desistido, no final de maio, de disputar o governo de Minas Gerais numa chapa que daria palanque ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado, o Partido dos Trabalhadores tem penado para definir quem abrirá espaço para a reeleição do petista no segundo maior colégio eleitoral do país.
Sem muitas alternativas, o PT passou a pressionar fortemente a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT-MG) a disputar o governo. No entanto, ela é terminantemente contra essa possibilidade e só deixou o comando da prefeitura, em abril, com a condição de que disputaria uma vaga ao Senado — e ainda sendo a candidata prioritária de Lula no estado.
Na quinta-feira, 25, ela emitiu uma nota na qual afirmou que a ideia do PT de lançar uma candidatura própria em Minas Gerais, aventada na última semana pela sigla, seria “um equívoco estratégico que pode fragilizar o campo democrático e popular no estado”.
Para conseguir continuar no caminho que desejava e encontrar uma alternativa mais viável para a eleição, Marília tem mantido conversas com o professor Gabriel Azevedo (MDB-MG), que é ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte e se coloca como pré-candidato ao governo há meses.
Os dois afirmam que querem se unir na formação de chapa e vão cumprir agendas juntos neste sábado, 27, em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, em Muriaé e Juiz de Fora, na zona da mata, e em Barbacena, na região do Campo das Vertentes. Eles devem fazer gestos públicos sobre a possibilidade de aliança, com o objetivo de levar o PT a mudar os planos e passar a apoiá-lo.
Azevedo, que já se reuniu com os presidentes nacionais dos dois partidos, Edinho Silva (PT) e Baleia Rossi (MDB), é um nome de centro, que defende uma política feita com diálogo com todos os campos e o respeito às instituições democráticas. Apesar disso, que é algo que o PT buscava em Pacheco, o relacionamento com o MDB é um dos pontos mais complexos para a formação de uma chapa com ele, visto que passa por questões nacionais.
“Gabriel Azevedo é o Rodrigo Pacheco melhorado, porque, diferentemente do senador, ele quer ser candidato”, disse para VEJA uma fonte ligada ao ex-presidente da Câmara de BH.
Nos bastidores, ele tem incentivado Marília a não ceder às pressões internas do PT e seguir insistindo na candidatura ao Senado, enquanto ele fará os movimentos que puder para ser o nome ao governo da chapa.
A direção estadual do PT nega que haja um desconforto interno com Marília, que o partido esteja brigando internamente, e diz que vão resolver a situação com diálogo constante. Apesar disso, a legenda não fará uma nova manifestação pública oficial até selarem quem será o candidato ao governo.
Além de Azevedo, Marília, que foi grande entusiasta da candidatura de Rodrigo Pacheco, também já conversou com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT-MG), que é pré-candidato, mas, como ele não fez gestos ao PT, a aliança não se viabilizou.
Minas Gerais, além de ser um dos maiores estados do Brasil, costuma ter grande importância para a eleição presidencial. Desde a redemocratização do país, todos os presidentes eleitos tiveram a maioria dos votos no estado — apontando para a necessidade de Lula ter um palanque robusto e bem resolvido por lá.