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A esquerda cochilou e, pronto, facilitou eleição presidencial na Colômbia

19 de Junho de 2026, 10:43 0 visualizações
A esquerda cochilou e, pronto, facilitou eleição presidencial na Colômbia

As pesquisas são coincidentes e, mesmo um tanto desmoralizadas na Colômbia, é possível antecipar com razoável grau de certeza que Abelardo de la Espriella será eleito presidente no domingo. Se a encrencada apuração no Peru algum dia chegar ao fim e confirmar que Keiko Fujimori foi eleita, o bloco conservador na América Latina ganhará dois respeitáveis integrantes, formando uma massa contínua que vai da Terra do Fogo ao Caribe.

Abelardo de la Espriella é fruto de uma campanha bem conduzida, que o levou de personagem pouco conhecido e alheio ao mundo político à posição de favorito, e de uma cochilada da esquerda, incapaz de detectar a tempo como o discurso sobre igualdade social foi ultrapassado pela preocupação com a segurança pública.

Gustavo Petro também deu o melhor de si para prejudicar o candidato de seu próprio bloco, Iván Cepeda, um professor de filosofia mais contido que, teoricamente, deveria ser impulsionado pelo sistema de benefícios sociais e pelo comportamento sóbrio, sem as constantes e alucinadas declarações do presidente em fim de mandato.

À frente em todas as pesquisas, Cepeda perdeu fôlego já no primeiro turno. Na arrancada final, do segundo foi prejudicado pela revelação de que teve câncer de cólon, com recidiva, mas ocultou a informação.

PRISÕES NA SELVA

Caso a tendência se confirme, como será um próximo governo de Abelardo, como todos os chamam? Qual o grau de governabilidade terá o advogado milionário, sem partido próprio e nenhuma experiência política, mesmo se aliando com o Centro Democrático, o partido tradicional de direita, comandado pelo ex-presidente Álvaro Uribe?

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As perspectivas não são muito animadoras. Embora instigantes, todas as principais propostas de Abelardo de la Espriella são, resumidamente, irrealizáveis. Irá ele se revelar um novo Javier Milei, um de seus inspiradores, e efetivamente conseguir transformar em realidade alguma de suas promessas de tendência libertária, pelo menos no campo da economia?

Vejamos algumas delas. Uma “reforma integral do Estado” para reduzir os gastos em 40%, através da “eliminação de ministérios inúteis e da burocracia clientelista que sufoca o país”. Qual a força política que ele tem no Congresso para fazer uma mudanças de tais dimensões? O que aconteceria com os demitidos? São 1,4 milhão de empregos públicos. Iria o novo presidente cortar 600 mil postos? Nem a motosserra de Milei conseguiu eliminar mais de 50 mil cargos na máquina estatal.

Em matéria de segurança, ele prometeu construir dez megapresídios em áreas de selva, seguindo o imitado modelo de Nayib Bukele em El Salvador. São países com realidades completamente diferentes, sem falar na supermaioria que sustenta o presidente salvadorenho no Legislativo. Embora as gangues salvadorenhas fossem poderosas, nem de perto se comparam às organizações criminosas do país de onde sai a cocaína que alimenta viciados em todo o mundo. Sob o governo de Petro, o cultivo e o tráfico da coca cresceram.

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Sem contar que na Colômbia existe uma íntima associação entre tráfico e grupos remanescentes da guerrilha de esquerda.

EXPRESSÃO DE DESEJOS

De la Espriella propõe uma legislação temporária especial”, que precisaria passar pelo Congresso e pela Corte Constitucional, equivalente ao supremo tribunal. Também defende eliminar a Jurisdição Especial da Paz, criada para promover a transição de guerrilheiros para a vida civil, mas vista por muitos setores como um foco de impunidade. De novo, precisaria do endosso – altamente improvável – no legislativo e no judiciário.

Eliminar 330 mil hectares de plantações de coca, através de fumigações em massa, também parece pertencer mais ao campo da expressão de desejos.

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Mais realizável, embora não nas proporções que promete, seriam propostas para cortar a “selva regulatória “e incentivar o crescimento econômico. Criar 150 mil empregos no setor petrolífero já soa mais demagógico. E ainda tem um prometido crescimento do PIB de 7%.

O teste de realidade vai dizer o que sobra das promessas. Ele já está sendo vivido por um presidente de perfil parecido, Daniel Noboa, do Equador. Jovem, milionário e cheio de promessas para enfrentar a criminalidade, inclusive com propostas de intensa ajuda americana, Noboa está vendo na prática como os problemas de segurança pública são de derrubar qualquer promessa. Com exceção, claro, de Nayib Bukele.

De la Espriella vai precisar mais do que uma barba bem desenhada e roupas justinhas para copiar o modelo Bukele.

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