A estratégia de Carol Celico para levar a Niini ao próximo patamar
Quando lançou a Niini, em 2022, Carol Celico tinha um objetivo diferente do que costuma mover boa parte das marcas criadas por figuras públicas. Não havia planos de construir uma operação para uma venda futura ou buscar uma saída rápida. A ideia era criar um negócio capaz de atravessar gerações.
A aposta tem se traduzido em números. Em quatro anos, a marca saiu de um faturamento de 3 milhões de reais para 40 milhões de reais. Para 2026, a expectativa é encerrar o ano entre 55 milhões de reais e 57 milhões de reais. O próximo passo já está desenhado: construir uma estrutura capaz de sustentar uma operação de 200 milhões de reais.
A trajetória empresarial de Carol começou antes da moda. Formada em Fashion Business pelo Instituto Marangoni, em Milão, ela abriu uma empresa de eventos na Itália e permaneceu no setor entre 2007 e 2019. Também fundou, em 2009, a Fundação Amor Horizontal, iniciativa social que criou uma das primeiras plataformas brasileiras de doações online.
De volta ao Brasil, mergulhou no universo do marketing de influência. Foi ali que percebeu o potencial das redes sociais não apenas como ferramenta de comunicação, mas como canal efetivo de vendas. “Comecei a entender qual era o volume de venda e o fluxo disso. Como cada mídia podia vender produto e para quem”, diz.
Mas a Niini nasceu de uma inquietação pessoal. Segundo Carol, faltavam no mercado roupas que refletissem praticidade e acompanhassem a rotina multifacetada das mulheres. “Eu queria vender produtos que fossem realmente práticos e versáteis. Essa palavra, facilitar, é muito importante para uma vida prática. Muitas mulheres precisam se desdobrar em mil facetas para dar conta do dia, do mês e da semana.”
A marca apostou em lançamentos mensais, expansão gradual e crescimento financiado pela própria operação. Depois do e-commerce vieram as lojas físicas nos shoppings JK Iguatemi e Iguatemi São Paulo. Em 2024, iniciou o canal de atacado com 20 multimarcas selecionadas pela própria fundadora. Hoje, já são 74 pontos parceiros. Apesar da expansão acelerada, Carol afirma que o foco está na sustentabilidade do negócio. “Agora estamos entendendo como sair dos R$ 40 milhões para R$ 200 milhões fazendo com que a empresa fique sustentável e gere caixa.”
Outro traço marcante da operação é a liderança feminina. Atualmente, a Niini conta com 76 colaboradores, dos quais cerca de 80% são mulheres. “Eu amo ser mulher. Amo mulheres que estão à minha volta. É muito rico para mim ter mulheres que eu admiro e que me admiram também”, afirma. Ela diz enxergar, nas histórias das funcionárias, experiências semelhantes às suas: insegurança, baixa autoestima e a sensação de não serem suficientes. Por isso, acredita que liderar vai além de metas e resultados. “Eu fui entendendo que essas mulheres me veem como uma força e como uma voz ativa. Isso me dá mais força para caminhar e entender que, cada vez que eu me exponho, estou fortalecendo um monte de mulheres”, diz Celico.
No fim, Carol acredita que o maior ativo da Niini não está apenas nas coleções, mas na capacidade de transformar a moda em ferramenta de autoestima. Para mulheres que sonham em empreender, o conselho é direto: “O maior conselho é começar. O medo sempre vai existir. Ele pode te ensinar a se proteger, mas não pode te paralisar.” E ainda completa que ninguém consegue vender algo que não sente. “Quando você cria algo que gostaria de resolver para si mesma, provavelmente existem muitas outras pessoas vivendo a mesma situação. E é aí que um negócio ganha propósito”, finaliza.