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‘A greve pode gerar uma série de custos’ , alerta economista

14 de Julho de 2026, 14:52 7 visualizações
‘A greve pode gerar uma série de custos’ , alerta economista

O Governo corre contra o tempo para votar a Medida Provisória 1343, a MP do frete. A proposta, que altera as regras do Piso Mínimo do Frete Rodoviário e prevê benefícios para a categoria, perde a validade no próximo dia 16 de julho, quinta-feira.

R$5 mil e anistia de multas

O problema é que o texto acabou cercado por temas que dividem governo, oposição e até o Supremo Tribunal Federal, como a criação de um piso salarial de R$ 5 mil para os motoristas e a anistia de multas aplicadas por bloqueios de rodovias em 2022.

Ameaça de greve

Enquanto a definição não chega, a categoria aumenta a pressão. Liderados por Wallace Landim, o Chorão, caminhoneiros iniciaram movimentos de conscientização e paralisações pontuais, como no Porto de Santos.

A mensagem é clara: se a medida não for apreciada pelo Congresso, uma greve nacional volta a ser considerada. A principal reivindicação é manter o piso mínimo calculado com base nos custos operacionais da atividade, rejeitando a ideia de que ele se transforme apenas em um valor de referência.

Reflexos sobre toda a economia

O temor de uma paralisação não preocupa apenas o setor de transporte. Para Ricardo Rocha, colunista da Veja Negócios e coordenador de finanças no Insper, uma interrupção da atividade teria reflexos imediatos sobre toda a economia brasileira.

“Essa questão da categoria entrar em greve pode gerar uma série de problemas, inclusive no preço de uma série de insumos e alimentos. Enfim, você paralisa o Brasil”, alertou.

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Incertezas externas

Rocha observa que o momento é ainda mais delicado porque coincide com um cenário de incertezas econômicas e alta nos preços internacionais do petróleo.

Na avaliação dele, a dificuldade em aprovar a MP também evidencia um ambiente de insegurança jurídica, provocado pelos frequentes embates entre decisões do Congresso e do Supremo Tribunal Federal.

Zum, zum, zum

“Agora, se juntar tudo isso e, se você me perguntar, daqui a pouco vai ficar para a semana que vem. Começou um zum zum zum de que a inflação está caindo, de que o Copom vai baixar a taxa de juros.

Mas, com essas inseguranças e incertezas, fica bem difícil. Acho que esse é um problema que está faltando uma atenção maior do governo ou dos políticos”, afirmou.

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Pressão sobre preços

Sob a ótica do mercado financeiro, Davi Lelis, especialista da Valor Investimentos, lembra que a discussão sobre o frete vai muito além da política doméstica.

Segundo ele, a tensão geopolítica envolvendo o Estreito de Ormuz mantém elevada a pressão sobre os preços do petróleo, o que acaba refletindo diretamente no custo do transporte rodoviário.

Greve e guerra ?

“Nós temos o preço do frete também ficando mais alto até o Estreito de Ormuz abrir e o petróleo voltar para a casa de 70 dólares, 80 dólares o barril”, explicou.

Ainda assim, ele pondera que a normalização da rota marítima, por si só, não resolveria o problema. “A simples abertura também não resolve. Ela demanda medidas muito mais estruturais e de médio e longo prazo para poder resolver.”

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As empresas e os custos de logística

Para Lelis, o mercado atravessa um momento de cautela, em que investidores preferem reduzir riscos diante das incertezas internacionais.

Esse movimento tende a afetar principalmente empresas mais endividadas e setores ligados ao varejo, que costumam sentir com mais intensidade qualquer aumento nos custos logísticos. “O mercado hoje está tentando entender quais vão ser as consequências e não tem como a gente prever o futuro”, resumiu.

O fantasma da greve

Com o prazo da medida provisória se esgotando e a ameaça de paralisação ganhando força, a expectativa agora recai sobre a capacidade do Congresso de construir um acordo de última hora.

Caso isso não aconteça, o país pode voltar a enfrentar um velho fantasma: o impacto de uma greve dos caminhoneiros sobre o abastecimento, a inflação e o ritmo da atividade econômica.

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