A nova decisão da Justiça do Rio sobre a mãe de Oruam
A Justiça do Rio revogou a prisão preventiva de Márcia Gama Nepomuceno, mãe do cantor Oruam. No final de abril deste ano, ela foi alvo de uma operação policial contra lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho. Em março, a mulher de Marcinho VP também esteve entre os procurados na Operação Contenção Red Legacy, ação policial que prendeu sete pessoas, incluindo o vereador Salvino Oliveira (PSD) – solto dias depois. Na ocasião, a polícia visava desarticular a estrutura nacional do CV.
A decisão foi assinada pelo desembargador Marcius da Costa Ferreira. No lugar da prisão, Márcia terá que cumprir algumas medidas cautelares: comparecimento periódico em juízo; proibição de frequentar as comunidades controladas pelo Comando Vermelho e o presídio onde Marcinho VP cumpre pena; recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias em que não estiver trabalhando; monitoramento eletrônico; proibição de deixar o Rio de Janeiro; e suspensão do exercício de função pública – a ré é servidora concursada na Câmara de Belford Roxo.
De acordo com o documento, o Ministério Público não pediu a prisão preventiva da mãe do cantor, mas a imposição de medidas cautelares. A operação da qual ela foi alvo em abril a apontou como gestora financeira do CV e responsável central pelos atos de ocultação e dissimulação patrimonial e financeira.
O inquérito da polícia revelou que Márcia comprou o estabelecimento comercial “Casa de Vidro” por R$ 1,3 milhões e recebeu o valor do aluguel do espaço, mas manteve o imóvel no nome “SANDI” para evitar investigações. Ela também administrou kitnets no complexo da Penha, financiados por dinheiro do tráfico, segundo a polícia. Além disso, a ré “comprou de maneira velada” fazendas em Iguaba e Araruama, na Região dos Lagos.
Márcia é esposa de Márcio Gama dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, apontado pela polícia como integrante de um “conselho federal permanente” da facção criminosa. As investigações indicam que, mesmo após quase três décadas preso, Marcinho VP ainda exerce papel central na organização, enquanto sua mulher atuaria na intermediação de interesses do grupo fora do sistema prisional. O filho do casal, o rapper Oruam, permanece foragido desde fevereiro, sem ser localizado pela polícia.
A defesa de Márcia sustenta que as acusações são infundadas e sem comprovação. Os advogados destacam, ainda, que o relatório policial “reconhece que ela não mantém contato direto nem interlocução estratégica com a cúpula do Comando Vermelho”.