A oportunidade encontrada por Michelle na disputa pela herança política de Bolsonaro
O desabafo público da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro sobre sua relação com o senador Flávio Bolsonaro provocou uma nova turbulência na pré-campanha presidencial do PL e reacendeu o debate sobre a sucessão da liderança política do bolsonarismo. O tema abriu a edição do programa Os Três Poderes, apresentado por Ricardo Ferraz, que reuniu o editor José Benedito da Silva, a editora Laryssa Borges e o professor de Direito Constitucional Gustavo Sampaio para analisar as consequências do episódio (este texto é um resumo do vídeo acima).
Michelle afirmou ter sido desrespeitada e afastada das decisões do partido pelo enteado. Após a repercussão, Flávio divulgou uma manifestação pública negando ter ofendido a ex-primeira-dama e pediu desculpas. Em seguida, Michelle voltou às redes sociais para afirmar que “não há briga nem competição” e defender que todos trabalhem juntos para derrotar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Como Michelle descreveu o conflito?
Nos vídeos exibidos durante o programa, Michelle afirmou que foi tratada de forma desrespeitosa pelo senador. “Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone. Disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido”, declarou.
A ex-primeira-dama também ressaltou sua atuação política à frente do PL Mulher, afirmando ter percorrido o país para estruturar diretórios e colaborar na eleição de mulheres em 2024.
A crise era inevitável?
Para José Benedito da Silva, o episódio apenas tornou pública uma tensão que já existia desde a definição da candidatura presidencial do PL. Segundo o editor, a insatisfação de Michelle começou quando Jair Bolsonaro escolheu Flávio como sucessor político sem consultá-la, apesar de ela aparecer competitiva em pesquisas de intenção de voto. “Essa era uma crise que já estava contratada desde o final do ano passado”, afirmou.
Na avaliação de José Benedito, Michelle permaneceu distante da campanha desde então, não participou ativamente da construção da candidatura e tampouco saiu em defesa do senador quando surgiram desgastes envolvendo o caso do Banco Master.
Por que o episódio preocupa a campanha?
O principal impacto político, segundo José Benedito, ocorre em dois segmentos considerados estratégicos para o PL. “Ela deixa a campanha do Flávio numa situação muito complicada com o eleitorado feminino, que já vai muito mal”, afirmou.
O editor acrescentou que Michelle também exerce forte influência entre os eleitores evangélicos, grupo considerado uma das principais bases de apoio do senador. Para ele, o momento escolhido ampliou ainda mais o alcance da crise. “O governo estava enrolado com Jaques Wagner, e o assunto Michelle dominou tudo”, resumiu.
Os vídeos foram planejados?
Na avaliação do professor Gustavo Sampaio, a divulgação do material não ocorreu de forma improvisada. Segundo o constitucionalista, Michelle deve ser vista hoje como uma liderança política autônoma, inserida na disputa que marcará as eleições de 2026.
Para ele, tanto a esquerda quanto a direita dependem da polarização para mobilizar seus eleitores, e Michelle percebeu uma oportunidade de ampliar seu espaço dentro desse cenário.
Está em curso uma disputa pela herança do bolsonarismo?
Sampaio afirmou que os acontecimentos recentes indicam uma disputa interna pelo comando político do grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. “Michelle tem o sentimento de que a vez é dela”, disse.
Na avaliação do professor, o desgaste sofrido por Flávio após o caso envolvendo o Banco Master abriu espaço para uma mudança de protagonismo. “Quando veio o vídeo, vi que foi tudo milimetricamente calculado”, afirmou.
Segundo ele, Michelle reúne atributos que podem fortalecê-la politicamente, entre eles o fato de preservar, segundo sua análise, uma imagem sem desgastes semelhantes aos enfrentados pelo senador. “Michelle, somando seu currículo limpo ao fato de ser mulher, encontrou a oportunidade de tomar o espaço. É o jogo da política”, concluiu.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Os Três Poderes (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.