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A princesa desencantada: um ano de vida e filho condenado por estupro

16 de Junho de 2026, 09:40 0 visualizações
A princesa desencantada: um ano de vida e filho condenado por estupro

Apenas 30% dos noruegueses querem que a loiríssima princesa Mette-Marit venha a se tornar a rainha consorte. É possível que seu desejo seja atendido: ela sofre de uma doença gravíssima e sem cura, a fibrose pulmonar. Recentemente, com franqueza escandinava que seria chocante em outros países, um médico da sua equipe disse que em casos no estágio que ela atingiu, a expectativa de vida é de apenas um ano.

Exatamente no momento em que a saúde dela se agravou, levando-a a usar sonda respiratória em público, o filho-problema, Marius Borg Holby, foi condenado a quatro anos de prisão por estupro de companheiras que estavam dormindo e sem condições de dar consentimento.

A princesa já estava com a reputação em frangalhos depois de aparecerem os inúmeros e-mails que trocou ao longo de anos com Jeffrey Epstein, passando-se por amiga que se permitia comentários picantes (“Paris é para adultério”, disse sobre a procura do “amigo” por um apartamento na cidade francesa).

Os múltiplos pedidos de desculpas pelo relacionamento com um homem cujos delitos de natureza sexual ela “desconhecia” não adiantaram muito para melhorar a imagem de Mette-Marit. Ao contrário, reforçaram sentimentos que estavam latentes desde que o príncipe herdeiro, Haakon, insistiu em se casar com a jovem de biografia “heterodoxa”, como dizem os mais finos, referindo-se ao fato de que ela vivia no mundo das raves e tinha múltiplos relacionamentos simultâneos. De um desses, com um ex-condenado por tráfico, nasceu Marius.

Na liberal Noruega, isso nem deveria ser mencionado – mas o fato é que era e muitos súditos viram o casamento com restrições. Mette-Marit nunca atingiu o nível de aceitação de outras plebeias que se casaram com herdeiros de tronos europeus quando já tinham vida própria. Sem nada da imagem de donzelas virginais, tornaram-se personalidades por direito próprio. A lista das rainhas bem sucedidas inclui Letícia da Espanha, uma ex-jornalista de televisão; a argentina Máxima da Holanda, alta executiva de bancos, e a australiana Mary da Dinamarca, vinda do mundo da publicidade.

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MULHERES INTELIGENTES

Como as monarquias são apenas cerimoniais, sem nenhum poder de verdade que não seja na esfera da imagem e da influência, os herdeiros não precisaram mais se casar com princesas de famílias reais, como no passado. Mas precisaram escolher mulheres inteligentes, com capacidade de entender que o mundo encantado onde estavam entrando tem várias exigências que podem tornar a vida quase insuportável. O caso da princesa Diana, tão tragicamente despreparada para o que a esperava (fora a rejeição do marido, que preferia a antiga amante) foi o maior exemplo disso.

Ironicamente, Mette-Marit teve dois filhos certinhos, a princesa herdeira Ingrid Alexandra e o príncipe Sverre Magno. Mas seu filho mais velho, colocado na situação complicada de viver numa família real sem pertencer efetivamente a ela, exceto pelos laços afetivos, herdou o comportamento rebelde da mãe na juventude. Também tem um estilo agressivo com mulheres, agora legalmente punido.

Irá a doença grave, que forma tecidos cicatriciais irreversíveis nos pulmões, amainar a a rejeição a Mette-Marit por causa das relações com Epstein e do filho problema?

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Esta é a segunda monarquia que, mesmo morto, o milionário abusador americano prejudica. Na Inglaterra, Andrew, o irmão do rei, deixou de ser príncipe e duque de York, foi obrigado a trocar o palacete em Windsor por uma casa comum e ainda não resolveu completamente seus problemas com a lei. Epstein obviamente queria o prestígio de ter cabeças coroadas na sua lista de conhecidos importantes, comprando sua simpatia com favores que, à luz do conhecimento de hoje, soam completamente absurdos. Há emails em que Mette-Marit pede a mansão dele em Miami emprestada para a irmã.

A Noruega é um dos países mais ricos do mundo, com população de apenas 5,6 milhões de habitantes e renda per capita de 104 mil dólares, produto do petróleo do Mar do Norte. A riqueza nacional é administrada competentemente por um fundo soberano e a população vive satisfeita, com o presente e o futuro garantidos. Não vai querer mudar um modelo que está funcionando, inclusive a monarquia, que já se mostrou capaz de resistir a casos com o da princesa Martha Louise, irmã de Haakon, que se casou com um autodeclarado xamã americano negro defensor de ideias simplesmente malucas sobre doenças como o câncer. Mas o desmanche, da imagem e da saúde, da princesa que possivelmente nunca será rainha é um problema é um acontecimento único.

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