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A teia que levou a PF ao filho de Sérgio Cabral por suspeita de ligação com bicheiro

16 de Julho de 2026, 18:19 4 visualizações
A teia que levou a PF ao filho de Sérgio Cabral por suspeita de ligação com bicheiro

O ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, entrou na mira da Polícia Federal na sexta fase da Operação Unha e Carne por suspeita de participar do “núcleo político-administrativo” de um esquema atribuído ao bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, apontado como chefe da máfia do cigarro. Policiais federais fizeram buscas na casa do ex-deputado no dia 2 de julho.

Segundo a investigação, esse braço teria a função de proporcionar “trânsito administrativo e utilidade econômica” ao esquema, aproximando operadores financeiros, empresas e agentes com influência no poder público fluminense. A Polícia Federal acredita que o bicheiro tenha distribuído propinas a autoridades em troca de blindagem – planilhas apreendidas com Adilsinho registraram 29 milhões de reais associados a políticos e candidatos. Os repasses seriam operacionalizados por meio de uma rede de empresas do setor gráfico.

A advogada Patrícia Proetti, que defende Marco Antônio, disse que ele nega veementemente qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou recebimento de valores de origem ilícita e que está à disposição das autoridades. Em um vídeo publicado nas redes sociais, o ex-deputado federal, que agora tenta uma vaga na Assembleia Legislativa, afirmou que está “de cabeça erguida”. “Nós vamos continuar nossa pré-campanha rodando o estado”, declarou.

Um dos indícios apontados pela PF contra Marco Antônio Cabral é justamente a conexão com as gráficas sob suspeita. Na campanha de 2018, ele pagou cerca de 350.900 reais à Apel Gráfica e Editora. Quatro anos depois, declarou aproximadamente 471.700 reais em despesas com a Nova Visual Representações Gráficas. As duas empresas são relacionadas pelos investigadores ao núcleo gráfico que teria sido montado para pulverizar e reinserir na economia formal recursos provenientes da contravenção e contrabando de cigarro.

Dezenas de outros candidatos declararam à Justiça Eleitoral gastos com as mesmas empresas. A Apel, segundo a decisão, movimentou aproximadamente 12,8 milhões de reais em campanhas eleitorais entre 2016 e 2020. Em 2022, porém, teria sido substituída pela Gráfica Editora Completa. Já a Nova Visual recebeu 6,3 milhões de reais de campanhas apenas na eleição de 2022.

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As mesmas empresas aparecem como fornecedoras de campanhas do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar (União), preso em uma penitenciária federal no Rio Grande do Norte, e do ex-governador Cláudio Castro (PL), também citados no inquérito. A própria investigação ressalva que a repetição de fornecedores não comprova, isoladamente, corrupção, mas a Polícia Federal afirma que o padrão reforça a hipótese de que as gráficas “funcionavam como canais de circulação de valores no ambiente político-eleitoral”.

Os investigadores também destacam a proximidade de Marco Antônio Cabral com Bacellar. Depois de deixar a Câmara dos Deputados, ele foi nomeado para um cargo em comissão na gestão do então presidente da Assembleia Legislativa do Rio e acabou exonerado em janeiro, após a prisão do aliado na Operação Unha e Carne.

Outro pivô que colocou a Polícia Federal no encalço de Marco Antônio foi o sogro, o empresário Edson Martins Lopes Júnior. A Polícia Federal inclui o empresário entre os supostos integrantes do braço operacional que, em tese, dava suporte à ocultação patrimonial de Adilsinho. Edson aparece ligado a uma extensa rede de empresas, que alcança fintechs, meios de pagamento, comércio de veículos e táxi aéreo. Em duas delas, as fintechs Flypay e Flycred, consta como sócia a esposa de um policial civil suspeito de ter vínculos com Adilsinho.

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Personalidades influentes da política fluminense, incluindo o próprio Marco Antônio, constaram na lista de convidados da festa de 50 anos do bicheiro, um evento milionário que fechou os salões do tradicional hotel Copacabana Palace em 2021. Rostos conhecidos da política fluminense também circularam em um camarote supostamente ligado ao sobrinho contraventor na Marquês de Sapucaí, segundo a Polícia Federal.

Diante da “natureza diversa, mas convergente” dos indícios, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou as buscas contra Marco Antônio Cabral. O material apreendido está sob análise.

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