A triste figura de Neymar na história das Copas
Há uma cena que entrará para a história do futebol brasileiro, mas no avesso: depois de bater o pênalti, marcado o gol de honra – ou desonra – do Brasil na derrota por 2 a 1 para a Noruega, Neymar, a seu estilo, de um jeito de provocar o goleiro Orjan Nyland. Para quê, sabendo que a partida tinha terminado, já passados oitos minutos de acréscimos. “Comigo não, comigo não”, disse o brasileiro depois de pôr a bola na rede. Comigo não, o quê? A postura de Neymar, ridícula e desnecessária, ajuda a mostrá-lo como ele ficará carimbado nas enciclopédias da bola – deve ter sido um dos maiores, se não o maior, desperdício de um craque.
De trás para a frente: para quê mesmo Neymar foi convocado, qual a utilidade dentro de campo. Em gesto de desespero, Carlo Ancelotti decidiu pô-lo em campo. O camisa 10 do Santos nada fez. O pênalti bem batido não conta. E então, fica a pergunta que não quer calar: como veremos a carreira de Neymar pela seleção brasileira? Ok, no Santos e no Barcelona, ao lado de Messi, teve momentos de brilho. Mas e na amarelinha.
Pouco, muito pouco. Ok, ele é o maior artilheiro, com 80 gols – incluindo o de hoje – em 129 partidas. Ganho o ouro na olimpíada de 2026, mas numa final disputada contra uma Alemanha de meninos. De resto, a trajetória é ruim. Em 2014, fez 4 gols em cinco jogos – e por estar machucado, e por sorte, escapou do 7 a 1. Em 2018, fez dois gols em cinco jogos – e ficou famoso pelo cai-cai, até hoje dando cambalhotas no gramado. Em 2022, marcou duas vezes, e se destacou pela bronca que deu nos companheiros depois do empate contra a Croácia, em 1 a 1, em partida que seria resolvida nos pênaltis. Em 2026, um gol, mas este seria melhor nem lembrar. Em 2014, levou a amarelinha até a semifinal. Em 2018 e 2022 até as quartas. Em 2026, mal ajudou o time a cair nas oitavas de final.
Haverá quem diga: mas 9 gols, não está bom? Não está, porque à exceção de 2026, as esquipes foram desenhadas para que ele brilhasse. Com um lembrete constrangedor: Haaland apenas na atual competição marcou 7 vezes. Messi e Mbappé, idem. É uma pena – e, insista-se, desperdício – ter a certeza, agora, de que em Copas Neymar sairá pela porta dos fundos. O beijinho irônico oferecido ao goleiro da Noruega é a marca da dimensão do jogador. O choro no banco – ainda que seja leviano tratá-lo desse modo-, soa como lágrima de crocodilo, falso como uma moeda de 3 reais.
