A união que pode salvar o palanque de Lula no segundo maior colégio eleitoral do país
A menos de cem dias das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não tem palanque em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. No entanto, uma das maiores lideranças do PT no estado, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos tenta articular a união de quatro partidos com o objetivo de viabilizar um projeto eleitoral mineiro.
Neste sábado, 27, Marília esteve em Montes Claros, no Norte do estado, com os pré-candidatos ao governo do PSB, o ex-procurador Jarbas Soares Júnior, e com o do MDB, o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo. Ela afirmou ainda que planeja articular a entrada do PDT na união: a legenda tem o ex-prefeito de BH Alexandre Kalil como pré-candidato ao comando do estado.
O movimento da petista busca formar uma frente ampla com força eleitoral, tanto local quanto para Lula. Ao mesmo tempo, visa solidificar também a sua decisão pessoal de disputar o Senado, algo que o próprio Lula e o PT têm tentado mudar, colocando-a para disputar o governo.
“Estou aqui como pré-candidata ao Senado, não apenas por uma decisão minha, mas do meu partido, que aprovou isso nos encontros nacional e estadual do PT (…). Terei, brevemente, reuniões com o presidente nacional [Edinho Silva] e com a presidenta estadual [Leninha Souza], para que a gente aprofunde a nossa estratégia eleitoral de 2026 (…). As indefinições em todos os campos políticos em Minas Gerais apontam que o caminho não é o confronto, mas juntar esforços (…) Eu defendo uma estratégia eleitoral de composição de uma frente única, que, aliás, é uma estratégia já definida pelo meu partido anteriormente, inspirada pela grande liderança nacional que é Rodrigo Pacheco. Ele era o representante do presidente Lula para ser o nosso candidato ao governo de Minas. Infelizmente, ele declinou (…). Mas eu continuo com a mesma toada: Rodrigo não vem, mas temos uma possível costura que envolve o PT, o MDB, o PSB, e não descarto também o PDT. Nós precisamos de uma grande conciliação de interesses, de formar uma frente ampla para disputarmos com força um projeto para Minas Gerais”, declarou Marília Campos em entrevista coletiva durante o encontro.
Apesar dela citar o PDT, Kalil não tem feito gestos de aproximação ao PT e nem aos outros nomes do PSB e do MDB. Ele, no entanto, possui uma boa relação com a petista de Contagem. “”Essa é uma solução viável eleitoralmente, e politicamente mais acertada, evitando confronto no palanque do Lula como no palanque do governo e do Senado (…). Obviamente, teremos que fazer acordos, porque temos ainda o segundo nome para o Senado, as suplências… Na política, é no diálogo que a gente constrói consensos (…). Não estamos disputando apenas nomes, estamos disputando uma estratégia, que eu acredito que é defendida pelo MDB, pelo PSB e que eu pretendo articular o PDT em torno dela. É com essa força que a gente quer enfrentar o processo eleitoral, para ofertar um palanque consistente para o presidente Lula”, complementou Marília.
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Apesar das indefinições de quem ficaria com qual posição na chapa, em um vídeo enviado para a reportagem, Marília chama Gabriel Azevedo de governador, e ele responde chamando-a de senadora. Veja abaixo.
Caso tenha sucesso na formação da nova aliança, a centro-esquerda conseguirá fazer o que a direita deseja no estado: unir forças em um mesmo palanque. Até o momento, nenhum candidato ao governo mineiro é dado como certo além do atual governador, Mateus Simões (PSD), que assumiu o cargo após a saída de Romeu Zema (Novo) e disputará a reeleição.,