Acordo EUA-Irã foi alvo de críticas por parte dos envolvidos até as últimas horas
O acordo deve restabelecer uma situação próxima à que existia antes do início da guerra, em 28 de fevereiro, quando EUA e Israel lançaram ataques que mataram o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. O saldo, porém, é pesado: milhares de mortos e uma nova realidade geopolítica. Teerã saiu do conflito com um trunfo relevante — a capacidade de influenciar o trânsito pelo Estreito de Ormuz, hidrovia estratégica para o transporte global de petróleo, gás natural e derivados, como fertilizantes. Seu fechamento efetivo chegou a abalar a economia mundial.
Dos objetivos declarados pelos dois países ao iniciar a guerra, parte ficou sem resposta. O Irã ainda mantém um programa de mísseis, continua apoiando grupos armados na região, como o Hezbollah, e preserva um estoque de urânio altamente enriquecido para seu programa nuclear. O filho de Khamenei assumiu como novo líder supremo, embora não tenha aparecido em público desde o início do conflito — e sua aprovação foi condição necessária para que o Irã assinasse o acordo.
Do lado iraniano, havia exigências além do cessar-fogo com Israel. Teerã queria que o acordo abrangesse também os combates no Líbano, onde Israel intensificou sua invasão como nunca antes em mais de um quarto de século, com ações direcionadas ao Hezbollah. O governo iraniano buscava ainda a liberação de bilhões de dólares em fundos congelados.
As críticas ao acordo vieram de vários lados. O governo israelense se opôs publicamente aos termos negociados, e a resistência veio também de dentro do Partido Republicano de Trump — alguns de seus membros afirmaram que o acordo não representava avanço em relação ao acordo nuclear iraniano firmado em 2015, do qual Trump se retirou durante seu primeiro mandato e que ainda classifica como “ruim”.
Dentro do próprio Irã, os atritos também ficaram evidentes nas horas que antecederam o anúncio. O governo chegou a alertar, no início do domingo, que qualquer divisão interna enfraqueceria sua posição nas negociações. O presidente Masoud Pezeshkian pediu união nacional e classificou como uma “vergonha” que alguém fosse ao parlamento chamar de traidor quem estivesse sentado à mesa de negociação.