Advogado de extrema-direita vence eleição na Colômbia
O advogado e empresário Abelardo de la Espriella venceu neste domingo, 21, o segundo turno das eleições presidenciais da Colômbia e será o sucessor de Gustavo Petro. A vitória marca uma mudança brusca de rumo no país, que nos últimos quatro anos foi governado pela esquerda. Ele tomará posse em 7 de agosto.
De la Espriella derrotou o senador de esquerda Iván Cepeda, candidato apoiado por Petro, em uma disputa marcada pela polarização, pelo debate sobre segurança pública e pelas críticas à situação econômica do país. Com 99,8% das urnas apuradas, a diferença entre eles é de menos de 250 mil votos.
O atual presidente colombiano informou que vai contestar o resultado eleitoral. Segundo Petro, há “muitas irregularidades” e parte das mesas deve ser impugnada. “Ninguém pode ser declarado presidente. É o voto que determina quem é o presidente. Eu obedeço aos juízes”, escreveu nas redes.
Aos 47 anos, De la Espriella jamais ocupou cargo eletivo. Conhecido na Colômbia como advogado criminalista de grande exposição midiática, construiu sua candidatura com um discurso de combate ao crime organizado, endurecimento das políticas de segurança e redução do tamanho do estado. Admirador declarado de líderes como Donald Trump (Estados Unidos), Javier Milei (Argentina) e Nayib Bukele (El Salvador), o advogado se apresentou como um outsider disposto a romper com a política tradicional.
O futuro presidente prometeu ampliar o uso das Forças Armadas no combate às organizações criminosas, construir megapenitenciárias e fortalecer a exploração de petróleo e gás. Também defendeu cortes de impostos para empresas e uma ampla redução da estrutura estatal. Já Cepeda fez campanha com bandeiras como o fortalecimento da proteção dos direitos humanos, a redução da desigualdade e da pobreza e o aumento de impostos sobre os que ganham mais.
A vitória de De la Espriella ocorre em um momento de crescente preocupação dos colombianos com a segurança. O aumento da violência em algumas regiões do país e as dificuldades enfrentadas pelo governo para conter grupos armados ilegais transformaram o tema em um dos principais motores da eleição. Analistas apontam que a promessa de “mão dura” foi decisiva para sua chegada ao Palácio de Nariño.
Apesar do triunfo, o presidente eleito herdará um cenário político complexo. A Colômbia continua profundamente dividida entre direita e esquerda e o novo governo deverá enfrentar um Congresso fragmentado, o que pode dificultar a aprovação de suas principais propostas.
A eleição também reforça uma tendência observada em outros países da América Latina, onde candidatos de direita e extrema direita têm avançado impulsionados pela insatisfação popular com a criminalidade, o baixo crescimento econômico e o desgaste de governos incumbentes.