Aécio Neves desiste de disputar eleição pela primeira vez em 40 anos
O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, anunciou nesta terça-feira, 4, que não disputará nenhum cargo nas eleições de 2026. A decisão encerra uma sequência de quarenta anos de candidaturas consecutivas do tucano, que estava cotado para concorrer ao Senado por Minas Gerais após desistir, no mês passado, da chapa presidencial que formaria como vice do ex-ministro Joaquim Barbosa.
Em carta divulgada a aliados, Aécio afirmou que a decisão foi “especialmente difícil”, sobretudo porque, segundo ele, liderava as pesquisas para uma das vagas ao Senado em Minas Gerais. O tucano, no entanto, disse que pretende concentrar esforços na presidência nacional do PSDB e na construção de um projeto de centro para o país.
“É com esse espírito que compartilho com vocês a decisão de, após todos esses anos, não ser candidato a nenhum cargo eletivo nas eleições de 2026”, escreveu. “A minha prioridade, a partir de agora, é liderar, como presidente nacional do PSDB, um novo e vigoroso projeto de Brasil, liberal na economia, inclusivo no campo social, responsável na gestão fiscal e pragmático na defesa dos interesses do país ao redor do mundo.”
Na carta, Aécio também afirmou que pretende trabalhar para “nos libertarmos da ruína e do martírio da polarização” e sustentou que “o Brasil é muito maior do que a soma de Lula e Bolsonaro”. Segundo ele, sua decisão não representa uma despedida da vida pública nem das disputas eleitorais futuras.
Aécio havia sido anunciado, em junho, como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa. A aliança foi desfeita em 10 de julho, quando ambos desistiram da candidatura. Desde então, o tucano avaliava disputar uma vaga no Senado ou buscar a reeleição para a Câmara dos Deputados.
Deputado federal pela primeira vez em 1986, Aécio construiu uma das trajetórias mais longevas da política brasileira. Foi presidente da Câmara dos Deputados entre 2001 e 2002, governador de Minas Gerais por dois mandatos, de 2003 a 2010, senador entre 2011 e 2019 e candidato à Presidência da República em 2014. Agora, pela primeira vez desde o início de sua carreira política, ficará fora da disputa eleitoral.