Agência nuclear da ONU diz que Irã precisará de verificação ‘muito avançada’ para não ter armas
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi, afirmou nesta sexta-feira, 26, que o Irã precisará de um sistema de verificação “muito avançado” quando a guerra terminar para garantir que o país não desenvolva armas nucleares.
“O objetivo do acordo é garantir que não aconteça nenhum desenvolvimento de armas nucleares no Irã. O governo iraniano declarou muito claramente que esta não é a sua intenção”, afirmou Grossi, durante visita ao Japão. “Claro, as intenções não bastam. Precisamos implementar um sistema de verificação muito avançado (…) o mais rápido possível”.
Na semana passada, Irã e Estados Unidos assinaram um acordo preliminar com objetivo de encerrar permanentemente a guerra no Oriente Médio. O memorando de entendimento, que abriu um processo de novas negociações entre os países com duração inicial de 60 dias, menciona a participação da AIEA nas próximas etapas do programa atômico de Teerã.
De acordo com o oitavo dos catorze termos do documento, a república islâmica se compromete a diluir seu estoque de urânio enriquecido, estimado em 440 quilos, sob a supervisão da AIEA. Ainda está em aberto se esse processo ocorrerá em solo iraniano ou em um país terceiro, que não os Estados Unidos, a combinar.
Grossi disse que o organismo de vigilância atômica das Nações Unidas “apenas” começou a conversar com Teerã sobre o que vai acontecer com as reservas de urânio após o recente memorando de entendimento com Washington.
“Tivemos conversações iniciais. (…) Esperamos que o trabalho seja acelerado em breve”, resumiu.
Antes dos bombardeios de Israel e dos Estados Unidos de junho de 2025 contra as instalações nucleares do Irã, a AIEA calculou que a República Islâmica tinha 440 quilos de urânio enriquecido a 60% – o nível necessário para produzir uma arma atômica é de 90%.
O Irã, porém, afirmou na terça-feira 23 que não permitirá que a AIEA inspecione as instalações nucleares bombardeadas pelos Estados Unidos e Israel no ano passado, rejeitando uma afirmação anterior do vice-presidente americano, J.D. Vance, segundo quem Teerã havia concordado em permitir o retorno dos inspetores.
Mesmo assim, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no mesmo dia que o Irã “concordou plena e completamente” em permitir o retorno dos inspetores nucleares ao país.
“O Irã concordou integralmente com inspeções nucleares de alto nível por um longo período (infinito!!!). Isso garantirá a ‘honestidade nuclear'”, escreveu o ocupante do Salão Oval na Truth Social, sua rede social. “Se não concordassem com isso, não haveria mais negociações! Com base nisso e em outras concessões importantes feitas pelo Irã, concordei em permitir que o Estreito de Ormuz permaneça ABERTO, sem mais bloqueio naval”, acrescentou.
(Com AFP).