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Agressões de Milei contra Lula devem ‘cessar imediatamente’, diz Mauro Vieira

09 de Agosto de 2026, 19:44 2 visualizações
Agressões de Milei contra Lula devem ‘cessar imediatamente’, diz Mauro Vieira

A crise diplomática entre os governos de Brasil e Argentina precisa ser superada com uma mudança de postura de Buenos Aires, segundo o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira. Em entrevista ao jornal argentino Clarín, neste domingo, 9, o chanceler disse que a interrupção dos ataques feitos pelo presidente argentino, Javier Milei, é condição para que o relacionamento entre os dois países volte a avançar.

“Precisamos ser muito claros quanto a isso, pelo bem dessa relação: esse tipo de agressão deve cessar imediatamente para que possamos trabalhar no vínculo bilateral, que é tão importante”, disse o ministro. Vieira afirmou que Brasília continua tratando a Argentina como um parceiro estratégico e que o governo espera uma demonstração equivalente por parte da administração Milei.

As declarações do chanceler brasileiro ocorrem depois de uma sequência recente de ataques de Milei a Lula. Na convenção nacional do PL que lançou oficialmente a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, o argentino chamou o presidente brasileiro de “presidiário” e dirigiu críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF.

No domingo (2), Milei voltou a mencionar Lula em entrevista à emissora argentina LN+. Dessa vez, chamou o brasileiro de “ladrão” e “corrupto” e voltou a questionar decisões do Supremo que anularam as condenações de Lula nos processos da Lava Jato.

A representação diplomática entre os dois países também foi afetada pelo impasse. Brasil e Argentina estão atualmente sem seus embaixadores em Buenos Aires e Brasília, e os assuntos bilaterais são conduzidos por encarregados de negócios. Vieira afirmou que a recomposição dos postos de embaixador poderá ocorrer depois que forem eliminadas as circunstâncias que levaram ao quadro atual.

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Vieira frisa que as falas de Milei alcançaram não apenas integrantes do governo brasileiro, mas também instituições e poderes do país, incluindo o Supremo Tribunal Federal (STF). Ele considerou “assombroso” um discurso recente do presidente argentino e afirmou que manifestações semelhantes ocorreram repetidamente em poucos dias.

Vieira aproveitou a entrevista para negar outra acusação feita por Milei: a de que o governo brasileiro teria ajudado a financiar uma articulação internacional contra a Argentina. O ministro classificou a denúncia como “totalmente falsa”. Também afastou qualquer interpretação eleitoral sobre a visita do ex-ministro argentino Sergio Massa ao Brasil, dizendo que o encontro esteve relacionado a temas de interesse compartilhado pelas áreas econômicas dos dois países.

O chanceler ainda rejeitou a afirmação, feita por Milei e por integrantes de seu governo, de que Lula seria “comunista”. Vieira argumentou que o presidente brasileiro não rompeu com o caráter capitalista da economia brasileira e afirmou que a classificação corresponde à visão do chefe de Estado argentino.

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