Alerta interno do BC fez Vorcaro tentar acionar Andrei e Gonet antes de ser preso
Uma anotação recuperada pela Polícia Federal mostra que o banqueiro Daniel Vorcaro queria acionar o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para evitar uma “sacanagem” contra ele.
O texto foi escrito no fim de outubro, quase 20 dias antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez, em novembro do ano passado. O interlocutor dele não foi identificado pela PF.
Na mensagem, o banqueiro explica que recebeu “informações informais e em confidência da turma do Banco Central” de que autarquia estaria sendo pressionada a tomar alguma medida contra o Master. A origem da pressão seria a PF e MPF, que também estariam planejando alguma ação.
“Na mesma anotação, descreveu a situação do banco e os problemas que vinha enfrentando, destacando que havia recebido informações confidenciais de integrantes do BCB de que ‘G’ (provavelmente Gabriel Galípolo, Presidente do BCB) e os demais diretores estariam novamente sob forte pressão para adotar alguma medida, em razão de intensa cobrança proveniente da PF e do MPF, os quais estariam alegando que tomariam providências contra ele”, descreveu a PF em relatório enviado ao STF.
Por isso, Vorcaro queria que “Andrei” e “Paulo” não deixassem “ninguém de baixo fazer uma sacanagem que aí tudo vai para o saco”.
O banqueiro foi preso na noite do dia 17 de novembro, ao tentar embarcar para Dubai. No dia seguinte, o BC decretou a liquidação do Master.
“Daniel Bueno Vorcaro também afirmou ser importante que o interlocutor reforçasse, junto a Andrei (provavelmente Andrei Augusto Passos Rodrigues, Diretor-Geral da Polícia Federal) e Paulo (provavelmente Paulo Gustavo Gonet Branco, Procurador-Geral da República), a necessidade de impedir que subordinados, dentro das estruturas hierárquicas da PF e do MPF, praticassem ‘alguma sacanagem’, pois, segundo ele, ‘aí vai tudo pro saco’, afirmou a PF.
Vorcaro tinha o hábito de escrever mensagens em um bloco de notas, para depois realizar uma captura de tela e enviá-la com visualização única. Por isso nem sempre os investigadores conseguem descobrir os interlocutores da conversa.