Ancelotti prepara mudança radical para Neymar na seleção
Neymar deve voltar à seleção na partida contra a Escócia, mas não exatamente na função que o consagrou na carreira. Se depender dos planos do treinador italiano Carlo Ancelotti, o camisa 10 deixará de ser um ponta que parte da esquerda para se transformar no cérebro do ataque brasileiro.
A ideia de Ancelotti é aproximar Neymar da área e concentrar sua atuação nas regiões mais decisivas do campo. Em vez de ficar preso aos corredores laterais, o camisa 10 passaria a jogar pelo centro, recebendo a bola de frente para o gol e participando diretamente da criação das jogadas. Com o novo papel tático, ele atrairia a marcação e criaria espaços para as infiltrações de Vinicius Júnior e dos demais atacantes.
A mudança de função de Neymar está alinhada a uma das marcas registradas de Ancelotti. Ao longo da carreira, o treinador italiano costuma construir suas equipes em torno de seus principais talentos, posicionando-os em áreas do campo onde possam ser protagonistas. Foi assim com Zidane e Kaká, que ganharam liberdade para ditar o ritmo das partidas.
Outro fator que influencia a decisão do treinador italiano é o momento da carreira de Neymar. Aos 34 anos e após conviver com uma série de lesões, Neymar já não tem nas arrancadas a sua principal arma, algo que ficou muito claro nas últimas partidas que fez pelo Santos. Centralizado, o camisa 10 poderia participar mais das jogadas sem precisar percorrer grandes distâncias. Em outras palavras: Neymar jogaria mais com a cabeça do que com o físico.
Se o plano sair do papel, a seleção poderá ter um desenho ofensivo bastante diferente do tradicional. Neymar atuaria como articulador avançado, Vinicius Júnior ganharia liberdade para atacar os espaços deixados pela defesa adversária e os outros atacantes teriam a missão de acelerar as jogadas ao redor do camisa 10. A aposta de Ancelotti é simples: menos correria para Neymar e uma seleção mais imprevisível na reta decisiva da Copa do Mundo. Eu gosto da ideia. Resta saber se Neymar será capaz de corresponder à ousada aposta de Ancelotti.