Anexada pela Rússia, Crimeia declara emergência devido a ataques ucranianos
As autoridades da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, declararam nesta sexta-feira, 26, uma “situação de emergência” na região para enfrentar os crescentes ataques ucranianos contra a península.
“Decidimos declarar situação de emergência a nível regional na República da Crimeia e na cidade de Sebastopol por meio de decretos”, anunciou no Telegram o governador Serguei Aksionov, instalado no cargo por Moscou, um dia depois de anunciar cortes de energia elétrica em toda Crimeia devido aos ataques.
A situação de emergência permitirá “garantir um funcionamento estável” da atividade em “todos os setores”, afirmou Aksionov.
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Kiev alega que os ataques aéreos constituem uma resposta de represália pelos bombardeios quase diários da Rússia contra civis ucranianos e a infraestrutura energética. O Exército ucraniano também tenta cortar as linhas de abastecimento da península, que pertence à Ucrânia desde 1954, quando o país ainda era parte da União Soviética.
Escassez de combustível
Em um comunicado divulgado na quinta-feira, o governador afirmou que a Crimeia enfrenta “desafios” e que “a situação do combustível é a mais difícil”.
“Não posso dizer exatamente quanto tempo vai demorar, nem posso explicar publicamente o plano de ação específico. No entanto, estamos agindo”, afirmou em um comunicado.
Ele também admitiu que o Exército russo não está conseguindo proteger totalmente a península. “Infelizmente (…) não há sistemas de defesa antiaérea no mundo que sejam absolutamente perfeitos em termos de segurança e eficácia”, disse.
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Na quinta-feira 25, uma série de ataques ucranianos deixou dois mortos e dois feridos na Crimeia, além de provocar um incêndio em um depósito de combustível, segundo autoridades locais. A estratégia ucraniana é atingir refinarias, oleodutos e depósitos de petróleo para reduzir as receitas obtidas por Moscou com a venda de hidrocarbonetos, utilizadas para financiar a ofensiva militar iniciada contra a Ucrânia em 2022.
Esses ataques frequentemente provocam incêndios, embora seja difícil medir seu impacto sobre a produção russa. Segundo um relatório recente da empresa americana Energy Intelligence, cerca de um terço da capacidade de refino de petróleo da Rússia foi paralisada pelos ataques ucranianos.
A Rússia tomou o controle e anexou a Crimeia em 2014, mas a maioria dos países — incluindo muitos aliados de Moscou — não reconhece a ação. A Ucrânia insiste que a península é parte de seu território.