Após operação contra Wagner, PL cita ‘PTMaster’ para rebater expressão ‘BolsoMaster’ usada por aliados de Lula
Após o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, se tornar alvo de uma operação da Polícia Federal na esteira do caso do Banco Master, nesta quinta-feira, 18, o Partido Liberal (PL), do presidenciável Flávio Bolsonaro, passou a utilizar a expressão ‘PTMaster’ em estratégia para tentar associar o PT ao escândalo de corrupção e rebater a pecha de “BolsoMaster” que vinha sendo utilizada por petistas.
Em um cartaz publicado nas redes sociais oficiais do partido, o PL mostra as imagens de Wagner e Daniel Vorcaro, dono do Master, em tons de vermelho. “Eles dizem que não há ligação. Mas, a cada nova fase da operação, novos nomes ligados ao PT voltam ao centro das investigações. O caso ‘PTMaster’ é a prova de que, mesmo mudando os personagens, a corrupção sempre carrega um nome do partido”, diz um texto que acompanha o material.
A PF investiga se Wagner recebeu vantagens de Augusto Lima, executivo do Banco Master, em troca de atuação em favor da instituição financeira. Entre as vantagens estariam um apartamento avaliado em 2,45 milhões de reais e um repasse de 3,5 milhões de reais para uma empresa do enteado do senador. Também teria sido disponibilizado o uso gratuito de aeronaves, além da entrega de ingressos para um show em Los Angeles, nos Estados Unidos.
A Polícia Federal cumpriu mandados contra o senador Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, e o banqueiro Augusto Lima em nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades envolvendo o Banco Master.
Segundo o Estadão, Wagner teria recebido imóvel e… pic.twitter.com/xfccxHQja1
— Partido Liberal – PL 22 (@plnacional_) June 18, 2026
Até então, a expressão mais comum a ser utilizada era “BolsoMaster”, que associa o governo de Jair Bolsonaro a todas as principais falhas sistêmicas que permitiram a evolução do caso Master. O termo ganhou ainda mais força e usabilidade quando veio à tona um áudio enviado por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, no qual ele pediu milhões de reais para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Antes da questão com Flávio, porém, o PT já falava em, ao menos, outros seis nomes do governo passado ligados a Vorcaro de alguma maneira. Há um mês, o ex-ministro da Fazenda de Lula, Fernando Haddad (PT-SP), disse que a situação tinha “focinho de porco, rabo de porco, orelha de porco… Do que se está falando? Toda a relação de Daniel Vorcaro é com o governo Bolsonaro”, ao citar os envolvidos.
“Vocês vão perceber que não existe uma possível ligação entre os Bolsonaro e o Master: é uma coisa só. O Daniel Vorcaro foi autorizado a operar [o Banco Master] pelo presidente do BC indicado pelo Jair Bolsonaro. Jair Bolsonaro recebeu doação de campanha do Daniel Vorcaro. Tarcísio de Freitas recebeu doação de campanha. O ministro da Casa Civil [de Jair Bolsonaro, o senador Ciro Nogueira (PP-PI)] tem relação com Daniel Vorcaro. O ministro da Secom do Bolsonaro [Fabio Wajngarten] tem relação com Daniel Vorcaro. A ministra da SRI do Jair Bolsonaro [Flávia Arruda] tem relação com Daniel Vorcaro”, comentou Haddad à época.
As doações de campanha de Vorcaro para Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas a que o ex-ministro se referiu, foram feitas por Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, e somavam cerca de 5 milhões de reais.
A relação de Vorcaro com Ciro Nogueira vem sendo investigada pela Polícia Federal, que realizou uma operação de busca e apreensão em endereços ligados ele. O parlamentar não foi preso, apesar das suspeitas de que recebia uma mesada mensal de até 500 mil reais. Ainda assim, o irmão dele, Raimundo Nogueira, também é investigado e passou a usar tornozeleira eletrônica, bem como teve de entregar seu passaporte e está proibido de se comunicar com outros envolvidos.
Já Fabio Wajngarten, que é advogado de formação, recebeu ao menos 3,8 milhões de reais para atuar na defesa de Vorcaro por meio de sua empresa, a WF Comunicação.
Flávia Arruda, que é também ex-deputada, é casada desde 2023 com o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, tesoureiro da instituição e também investigado hoje na operação que mira Wagner.