Após saída de Michelle, PL Mulher será descentralizado e alas femininas locais ficarão subordinadas a Valdemar
Após a saída da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher, nesta terça-feira, por desavenças com os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, o partido decidiu que ninguém vai substituí-la como liderança nacional da ala feminina. De acordo com o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, cada diretório local terá a sua direção feminina específica e todos os estados ficarão subordinados à Executiva Nacional.
“Não há um nome à altura da Michelle para substituí-la nesta função. Cada diretório terá a sua liderança feminina e as decisões serão debatidas com a presidência do partido. É a melhor forma de mantermos este projeto, que está em curso e foi liderado até aqui pela Michelle. Foi ela mesma quem escolheu as lideranças estaduais”, afirmou ao RADAR.
Valdemar ainda mantém esperança em ver a correligionária como candidata ao Senado pelo Distrito Federal. Entretanto, diz que a empreitada dependerá do poder de convencimento de Bolsonaro, que encontra-se preso.
“Ainda vejo chances (de Michelle ser candidata), mas ela vai rever com o marido. Muita coisa mudou, não está garantido”, afirmou à coluna.
Oficialmente, Michelle deixará a presidência do PL Mulher para “se dedicar ao ex-presidente Jair Bolsonaro”.
“Na condição de Presidente do Partido Liberal Mulher, venho por meio desta informar que, após muito refletir com o meu marido sobre o momento em que estamos vivendo em nossa família, reuni-me com o presidente do Partido Liberal na tarde de hoje e lhe comuniquei a minha decisão de deixar a Presidência do PL Mulher para me dedicar – integralmente – aos cuidados para com o meu marido e minha filha. Durante o período em que estive à frente do PL Mulher, construímos – juntamente com as nossas presidentes – um grande exército de mulheres de bem que já começaram a transformar o Brasil e a corrigir os rumos da nossa Nação. Conhecendo a força e a capacidade das mulheres brasileiras, tenho certeza de que o nosso movimento crescerá ainda mais e teremos um futuro próspero para os nossos filhos e netos”, diz o texto.
Na última semana, ela teceu duras críticas ao seu enteado em vídeos publicados em seu perfil no Instagram. Entre outras coisas, ela diz que recebeu tratamento desrespeitoso do senador e de seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e disse que “eles me tratam como se eu fosse idiota”.
Acusada por partidários de Flávio de não se envolver na campanha presidencial do filho primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro, ela se justificou com ácidas críticas ao enteado. “Telefonei algumas vezes [para o Flávio], mas ele não atendeu. Algumas horas depois da postagem, ele retornou a ligação, mas, sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido. Me desrespeitou e me maltratou ao telefone”, disse.