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Apple aumenta preços de MacBooks e iPads em até 20%

25 de Junho de 2026, 16:45 0 visualizações
Apple aumenta preços de MacBooks e iPads em até 20%
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A Apple anunciou um aumento de cerca de 20% nos preços de MacBooks e iPads em diversos mercados, numa das maiores revisões de preços de sua história recente. A empresa atribuiu a decisão à disparada no custo dos chips de memória, componente que se tornou um dos principais gargalos da indústria de tecnologia diante da explosão dos investimentos em inteligência artificial.

O reajuste não atinge, por enquanto, os iPhones, principal produto da companhia e responsável por cerca de metade de sua receita.

A decisão provocou reação negativa dos investidores. As ações da empresa caíram 5% após o anúncio.

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Boom da IA muda mercado de chips

Nos últimos dois anos, gigantes da tecnologia como Google, Meta, Amazon e Microsoft aceleraram a construção de data centers voltados para inteligência artificial.

Essas estruturas exigem enormes quantidades de memória avançada para treinar e operar modelos de IA, criando uma corrida por componentes que antes eram amplamente destinados ao mercado de eletrônicos de consumo.

O resultado foi um aumento expressivo nos preços das memórias DRAM e NAND, usadas em notebooks, tablets, smartphones e servidores.

Segundo estudo recente do banco Morgan Stanley citado pelo Financial Times, os preços desses componentes aumentaram até seis vezes nos últimos 12 meses. A expansão da capacidade produtiva exige investimentos bilionários e pode levar anos para entrar em operação.

Reajuste é incomum para os padrões da Apple

Historicamente, a Apple costuma alterar preços apenas quando lança uma nova geração de produtos ou substitui modelos antigos. Reajustes simultâneos em praticamente toda uma linha de produtos são raros.

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Entre os exemplos anunciados, o MacBook Air com 512 GB passou de US$ 1.099 para US$ 1.299. Já o iPad Pro com 256 GB subiu de US$ 999 para US$ 1.199.

O MacBook Neo, versão de entrada lançada neste ano, teve aumento ainda maior, de cerca de 25%.

A empresa afirmou que vinha absorvendo parte dos custos adicionais dos componentes, mas que a alta atingiu níveis considerados insustentáveis.

Fabricantes disputam capacidade com empresas de IA

O problema não afeta apenas a Apple.

Fabricantes como Dell Technologies, HP, Lenovo e ASUS já anunciaram ou sinalizaram reajustes semelhantes neste ano.

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A escassez decorre também da mudança de estratégia dos principais fabricantes de memória do mundo. Empresas como Samsung Electronics, SK Hynix e Micron Technology passaram a priorizar a produção de memórias de alto desempenho voltadas para inteligência artificial, mais lucrativas do que aquelas utilizadas em notebooks e tablets.

A Micron, por exemplo, informou recentemente um salto de quinze vezes no lucro trimestral, impulsionado pela demanda de grandes operadores de IA.

Pressão sobre margens e consumidores

A alta dos componentes cria um dilema para as fabricantes de eletrônicos. Absorver os custos reduz a rentabilidade; repassá-los aos consumidores pode afetar as vendas.

Até agora, a Apple vinha conseguindo preservar suas margens. No trimestre encerrado em março, a margem bruta da divisão de hardware subiu para 38,7%, ante 35,9% um ano antes. O lucro total da companhia alcançou US$ 29,6 bilhões (cerca de R$ 163 bilhões).

Mas analistas avaliam que a pressão sobre custos tende a continuar. Projeções do JPMorgan indicam que os chips de memória, que hoje representam entre 10% e 15% do custo dos componentes de um iPhone, poderão responder por mais de 45% desse valor até 2027.

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IA cria vencedores e perdedores na cadeia tecnológica

O episódio mostra como a inteligência artificial está reorganizando toda a indústria de tecnologia. Enquanto empresas que produzem chips e infraestrutura registram lucros recordes, fabricantes de eletrônicos enfrentam custos crescentes e dificuldades para garantir fornecimento.

A chamada “chipflation”, termo que vem sendo usado por analistas para descrever a inflação provocada pela escassez de semicondutores, tornou-se um dos efeitos econômicos mais visíveis da corrida pela inteligência artificial.

Para consumidores, isso significa que produtos como notebooks, tablets e, eventualmente, smartphones poderão ficar mais caros nos próximos anos, mesmo sem grandes mudanças tecnológicas entre uma geração e outra.

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