Apuração de votos de peruanos no Brasil termina; veja resultados entre Fujimori e Sánchez
A candidata de direita Keiko Fujimori venceu o adversário de esquerda Roberto Sánchez na disputa pela Presidência do Peru entre eleitores peruanos que votaram no Brasil, segundo a Comissão Nacional Eleitoral do Peru (ONPE). Com 100% das atas contabilizadas nesta segunda-feira, 15, a filha do ex-ditador Alberto Fujimori obteve 2.832 votos, o equivalente a 55,6% do total, enquanto Sánchez somou 2.261 votos, ou 44,4%.
Fujimori venceu em nove das 11 capitais que receberam eleitores peruanos, com destaque para Goiânia, onde alcançou 74% dos votos, Manaus (72%) e Curitiba (62,5%). No Rio de Janeiro, a candidata conservadora obteve 57,7% da preferência do eleitorado, enquanto em São Paulo, o maior colégio eleitoral entre os peruanos no Brasil, venceu por margem estreita: 50,9% contra 49,1% de Sánchez.
Já o adversário de esquerda levou vantagem apenas em Fortaleza, com 59,1% dos votos, e em Porto Alegre, com 53,7%.
Disputa acirrada
Enquanto isso, a disputa nacional segue acirrada no Peru. Com 98,62% das atas contabilizadas nesta segunda-feira, Keiko Fujimori aparece à frente com 9.078.120 votos, correspondentes a 50,05% do total apurado. Roberto Sánchez registra 9.059.164 votos, ou 49,94%.
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Os dois candidatos estiveram praticamente empatados durante toda a apuração. Enquanto Fujimori liderou as pesquisas de boca de urna, Sánchez ficou ligeiramente à frente na contagem rápida da Ipsos, que tem previsto com precisão eleições anteriores.
Ambos pediram calma e paciência durante toda a apuração, mas o candidato esquerdista – que ultrapassou a rival na semana passada, impulsionado pelos votos de áreas rurais – começou a endurecer o tom na última quarta-feira e pediu uma reunião com observadores internacionais para discutir “desenvolvimentos estranhos, incomuns e questionáveis”.
Keiko x Sánchez
Roberto Sánchez e Keiko Fujimori disputam o mandato presidencial no Peru para o período de 2026 a 2031, de cinco anos. O vencedor será o nono presidente do país sul-americano em dez anos de crise política. Desde 2016, dois presidentes renunciaram e quatro foram destituídos pelo Parlamento peruano, tido como o poder de fato no país.
Filha do ex-ditador Alberto Fujimori, condenado por violações de direitos humanos, o que inclui esterilização forçada de mulheres indígenas, Keiko perdeu nas últimas três eleições no 2º turno, em 2011, 2016 e 2021. No último pleito presidencial, foi superada pelo então presidente Pedro Castillo por apenas 45 mil votos (posteriormente, ele seria destituído, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado).
Sánchez, que foi ministro durante o governo Castillo, é seu herdeiro político nesta eleição: adotou o mesmo chapéu de caubói característico do mentor e agora aguarda os resultados do lado de fora da prisão onde o ex-presidente está detido.