As três variáveis que podem mudar jogo eleitoral após caso Lulinha, segundo cientista político
As mensagens reveladas com exclusividade por VEJA e que integram o inquérito sigiloso da Polícia Federal que apura a prática de tráfico de influência por Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, podem alterar a dinâmica da disputa eleitoral. A avaliação é do cientista político Rodrigo Prando, professor do Mackenzie.
Ao Ponto de Vista, Prando ressaltou que, embora a investigação não aponte envolvimento direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas suspeitas, o episódio pode produzir impacto imediato e também influenciar o ambiente eleitoral nos próximos meses.
A primeira variável apontada por Prando é a maneira como os adversários de Lula irão explorar politicamente o caso. Para ele, a questão central será definir como a comunicação das campanhas adversárias apresentará o envolvimento de Lulinha nas suspeitas investigadas pela Polícia Federal.
A segunda diz respeito à resposta do próprio presidente e do núcleo da campanha petista. Prando lembrou que Lula afirmou, dias antes, ter conversado com o filho e ouvido dele que não havia nenhum problema. Segundo o cientista político, o presidente também declarou que, caso Lulinha tenha cometido alguma irregularidade, deverá responder por seus atos e que Lula não faria intervenção na Polícia Federal.
A terceira variável será a dimensão que o desgaste poderá assumir. Prando questiona se, a partir de agora, as repercussões ficarão concentradas na figura de Lula e de sua família ou se novos episódios capazes de atingir a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — como a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e o filme Dark Horse — voltarão a aparecer. “Ao longo dos últimos meses, a cada dez, quinze dias, você tinha desgastes na campanha de Flávio. Agora, esses desgastes começam a se avolumar em relação à campanha do presidente Lula”, diz.
O contraste é relevante porque, na avaliação apresentada no
Ponto de Vista, a campanha de Flávio vinha acumulando desgastes em intervalos curtos ao longo dos meses. Agora, as suspeitas envolvendo Lulinha introduzem um novo elemento no cenário e podem deslocar parte da pressão política para o campo do presidente.
Para Prando, portanto, não é possível avaliar o efeito eleitoral do caso apenas a partir da existência da investigação. O resultado político dependerá de como os adversários irão comunicar o episódio, de como Lula e o grupo que conduz sua campanha responderão às acusações e de quais outros fatos poderão surgir no decorrer da disputa.
São essas três variáveis — a comunicação dos adversários, a reação de Lula e do núcleo petista e a eventual concentração ou dispersão dos desgastes entre as duas campanhas — que, segundo o cientista político, indicarão como o cenário eleitoral poderá se comportar a partir das revelações feitas por VEJA.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.