Às vésperas de aniversário de independência, americanos duvidam que EUA durem mais 250 anos
À medida que os Estados Unidos se preparam para celebrar os 250 anos de sua independência, em 4 de julho, cresce entre os próprios americanos a desconfiança sobre a capacidade do país de permanecer unido no futuro. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta terça-feira, 16, mostra que dois em cada cinco americanos acreditam que os EUA não existirão como uma única nação daqui a outros 250 anos.
O levantamento, realizado entre os dias 12 e 15 de junho com 1.537 adultos de todo o país, traça um retrato de uma sociedade cada vez mais polarizada e apreensiva em relação às suas instituições. O pessimismo atravessa as divisões partidárias: 40% dos democratas afirmaram não acreditar que os Estados Unidos permanecerão unidos pelos próximos dois séculos e meio. Entre os republicanos, o índice foi de 26%. Ao todo, 62% acreditam que a nação perdurará.
Democracia em risco
A preocupação com o futuro da democracia americana aparece de forma ainda mais contundente. Dois terços dos entrevistados concordaram com a afirmação de que a democracia dos Estados Unidos corre o risco de fracassar. O dado representa uma piora em relação a agosto do ano passado, quando pesquisa semelhante apontava que 57% dos americanos acreditavam que a democracia estava em perigo.
O sentimento é especialmente forte entre os democratas: 85% compartilham dessa percepção. Entre os republicanos, metade dos entrevistados disse enxergar ameaças à sobrevivência do sistema democrático.
O temor também se estende ao cenário político dos próximos anos. Para 77% dos participantes, é provável que a violência política aumente nos Estados Unidos nos próximos cinco anos.
Nacionalismo abalado
A pesquisa também indica uma erosão do nacionalismo americano. Apenas 30% dos entrevistados disseram considerar os Estados Unidos o “maior país do mundo”, ante 38% registrados em levantamento semelhante realizado em 2017, durante o primeiro mandato de Donald Trump.
A queda foi puxada principalmente pelos democratas: somente 11% mantêm essa avaliação, contra 26% há nove anos. Entre os republicanos, a percepção permaneceu praticamente inalterada, com cerca de seis em cada dez entrevistados classificando os EUA como a principal nação do planeta.
Comemorações divididas
Os resultados surgem no momento em que o presidente Donald Trump transforma as celebrações dos 250 anos da independência em vitrine política de seu governo. O republicano tem colocado sua imagem no centro das festividades.
No domingo, 14, data de seu aniversário, o republicano promoveu na Casa Branca um evento com temática ligada ao UFC. Já nesta segunda-feira, afirmou que será a principal atração das comemorações em Washington, que também funcionarão como palco para mobilizar sua base às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, em novembro.
A maioria dos americanos, porém, considera que os eventos do 4 de Julho se tornaram excessivamente partidários.
As diferenças aparecem até na forma de celebrar a data. Enquanto 52% dos republicanos disseram que pretendem vestir roupas nas cores da bandeira americana, apenas 20% dos democratas afirmaram que farão o mesmo. Os republicanos também demonstraram maior disposição para assistir a shows de fogos de artifício: 46% planejam participar desse tipo de evento, ante 28% dos democratas.
A pesquisa, realizada online, coletou respostas de 1.537 adultos nos EUA e seus resultados apresentaram uma margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.