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Atraso na adoção de IA pode custar US$ 143 bilhões às empresas, diz Thomson Reuters

22 de Junho de 2026, 12:00 0 visualizações
Atraso na adoção de IA pode custar US$ 143 bilhões às empresas, diz Thomson Reuters

A inteligência artificial deixou de ser uma aposta para se tornar um fator de competitividade. Empresas que demoram a incorporar a tecnologia às suas operações podem colocar em risco até US$ 143 bilhões em receitas anuais nos mercados jurídico e contábil dos Estados Unidos, segundo o relatório Future of Professionals 2026, divulgado nesta segunda-feira, 22, pela Thomson Reuters. O valor corresponde ao volume de contratos que pode ser reavaliado por clientes diante da percepção de que seus fornecedores ainda não entregam ganhos de qualidade e produtividade proporcionados pela IA.

O levantamento ouviu 1.816 profissionais de 62 países que atuam nas áreas jurídica, tributária, contábil, auditoria, compliance, risco e comércio internacional. A pesquisa mostra que a adoção da tecnologia já é ampla: 74% dos entrevistados utilizam ferramentas de inteligência artificial várias vezes por semana e 44% afirmam recorrer a elas diversas vezes ao dia. Ainda assim, 91% dizem que suas organizações ainda não conseguem extrair todo o potencial da IA.

“Estamos vendo surgir uma divisão clara”, afirmou no relatório Steve Hasker, presidente e CEO da Thomson Reuters. “Escritórios que estão operacionalizando a IA estão avançando mais rápido. Os que não estão, começam a assumir riscos reais em talento, clientes e desempenho financeiro. Fechar essa lacuna de execução agora é um imperativo de negócio para escritórios profissionais.”

Segundo o estudo, o principal obstáculo deixou de ser tecnológico e passou a ser organizacional. Mesmo entre empresas que possuem uma estratégia formal para inteligência artificial, 35% dos profissionais afirmam que ela não chega ao cotidiano das equipes. Os motivos mais frequentes são falta de ferramentas adequadas, ausência de treinamento e falta de entendimento comum sobre a estratégia adotada.

Os resultados mostram que ter uma estratégia estruturada faz diferença. Entre profissionais que trabalham em empresas com um plano formal para IA, 66% afirmam que a tecnologia atende ou supera as expectativas de geração de valor. Nas organizações que ainda não possuem uma estratégia definida, esse percentual cai para apenas 22%.

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A pressão também vem dos clientes. O levantamento mostra que 78% das empresas que contratam serviços profissionais consideram muito importante ou essencial receber melhorias de qualidade impulsionadas por inteligência artificial. Apesar disso, apenas 6% acreditam que a maioria de seus fornecedores já entrega esse nível de serviço. Como consequência, 32% afirmam que pretendem reavaliar seus fornecedores nos próximos 12 meses. Entre esse grupo, um terço estima que mais de US$ 1 milhão em contratos anuais pode estar em jogo, o que levou a Thomson Reuters à estimativa de até US$ 143 bilhões em receitas sob revisão nos Estados Unidos.

O descompasso também começa a afetar a retenção de profissionais. Um em cada quatro entrevistados que percebe uma diferença entre o potencial da IA e o que sua empresa efetivamente entrega afirma que considera trocar de emprego nos próximos dois anos. O relatório estima que a substituição de cada profissional custe, em média, US$ 232 mil às organizações, tornando a perda de talentos um impacto financeiro adicional da demora na implementação da tecnologia.

Além disso, 62% dos profissionais afirmam que o acesso a ferramentas de IA de nível profissional influenciaria sua decisão de aceitar uma nova vaga. Entre aqueles que já utilizam esse tipo de solução, quase um em cada três recusaria uma oferta de emprego que não oferecesse esse recurso.

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A pesquisa também aponta que a lentidão das empresas tem levado parte dos funcionários a recorrer a plataformas de inteligência artificial sem autorização da organização. Hoje, 34% dos entrevistados admitem utilizar ferramentas não aprovadas internamente — percentual que sobe para 41% entre profissionais que avaliam que suas empresas avançam muito lentamente na adoção da IA. O movimento amplia riscos relacionados à proteção de dados, governança e conformidade.

“Nem toda IA é igual”, disse Hasker. “Em profissões com responsabilidade legal, o padrão precisa ser muito mais alto. Quando os resultados impactam decisões jurídicas, regulatórias ou aconselhamento a clientes, ‘quase certo’ não é suficiente. Por isso desenvolvemos o que chamamos de IA de nível fiduciário, uma tecnologia que os profissionais podem verificar, confiar e sustentar.”

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