B3 lança curso “Elas Bancam” voltado ao público feminino
O dinheiro deixou de ser um tabu feminino para ocupar espaço cada vez maior nas conversas sobre carreira, independência e planejamento de futuro. Reflexo dessa mudança, o número de mulheres investindo em renda variável cresceu 74% desde 2021 e chegou a 1,5 milhão em abril de 2026, segundo dados da B3, a bolsa do Brasil.
Apesar do avanço, elas ainda representam apenas um em cada quatro investidores ativos no mercado acionário brasileiro. O cenário ajuda a explicar a aposta da B3 em iniciativas voltadas à educação financeira feminina. A instituição lançou o “Elas Bancam”, curso online e gratuito que busca aproximar mulheres do universo dos investimentos por meio de uma linguagem mais acessível e conectada à vida real.
Apresentada pela vice-presidente da B3, Ana Buchaim, e pela comunicadora Gabriela Prioli, a formação será disponibilizada ao longo de seis semanas na plataforma de cursos da bolsa. A proposta é ir além dos conceitos técnicos e abordar questões que historicamente afastaram parte das mulheres das decisões financeiras, como culpa, insegurança e a sensação de que investir é assunto para especialistas. d“Na medida em que ampliamos o acesso das mulheres à educação financeira, ampliamos também sua capacidade de decisão, e isso impacta diretamente o desenvolvimento do país. Quando o assunto dinheiro entra na conversa de forma acessível, ele deixa de ser um bloqueio e passa a ser uma ferramenta de escolha”, afirma Ana Buchaim.
A iniciativa chega em um momento em que cresce o interesse feminino por conteúdos relacionados a finanças, especialmente aqueles que conectam investimentos ao cotidiano. Influenciadoras especializadas, comunidades digitais e cursos voltados para mulheres vêm ganhando espaço, acompanhando uma mudança estrutural no comportamento das consumidoras: mais mulheres querem participar ativamente das decisões sobre patrimônio e independência financeira.
Para Gabriela Prioli, essa transformação também exige uma mudança cultural. “Mulheres administram equipes, empresas e famílias inteiras, mas muitas ainda se sentem inseguras quando o assunto é investimento. Isso acontece porque, durante muito tempo, fomos incentivadas a participar das conversas sobre consumo, mas não das conversas sobre patrimônio”, diz.
Segundo ela, ampliar o acesso à informação significa ampliar possibilidades. “Precisamos normalizar a ambição feminina. Mulheres financeiramente fortes costumam ter mais condições de cuidar de si mesmas, de suas famílias, de seus projetos e das causas em que acreditam. Liberdade não é apenas um conceito bonito; é ter condições reais de fazer escolhas.”
Ao longo das aulas, temas como relação emocional com o dinheiro, organização financeira, uso consciente do cartão de crédito e construção de uma carteira de investimentos serão tratados a partir de situações práticas. A ideia é mostrar que investir não depende de fórmulas complexas, mas de informação, planejamento e decisões compatíveis com a realidade de cada pessoa.