B3 segura Braskem nos índices, mas deixa mercado no escuro
A B3 afastou, por ora, o risco de exclusão imediata da Braskem dos índices da bolsa, mas a resposta dada pela própria companhia de mercado deixou uma zona cinzenta relevante para os investidores.
Questionada sobre o impacto da tutela antecipada concedida à petroquímica, a B3 informou ao Radar Econômico que “neste momento, não há alteração na situação do emissor”. Na prática, isso significa que a Braskem segue no Ibovespa e em outros índices, evitando uma venda forçada de fundos passivos e ETFs que replicam essas carteiras.
O problema é o “neste momento”.
Pelas regras da própria B3, companhias em recuperação judicial, recuperação extrajudicial, regime especial de administração temporária, intervenção ou situação especial podem ser excluídas dos índices. Ou seja: a bolsa não vê, hoje, motivo para tirar a Braskem das carteiras teóricas, mas tampouco eliminou o risco de que isso aconteça se a crise avançar para uma etapa formal de reestruturação.
Esse detalhe importa porque o mercado estima que entre 60 milhões e 80 milhões de ações da Braskem estejam hoje nas mãos de fundos passivos e ETFs, nacionais e estrangeiros. Uma eventual exclusão dos índices obrigaria parte desses investidores a zerar posição, criando uma pressão adicional sobre um papel já castigado pela crise de crédito da petroquímica.
A diferença de tratamento entre o mercado acionário e o mercado de dívida ficou evidente. Enquanto a B3 optou por preservar o enquadramento da companhia, a S&P Global Ratings rebaixou a Braskem para “D”, nível de default, ao interpretar a suspensão judicial das cobranças como evento de inadimplência.