Batalha nas redes: esquerda celebra pesquisas e direita aposta na relação com EUA
A divulgação de pesquisas eleitorais favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a tentativa da direita de explorar a proximidade com o governo americano dominaram a disputa política nas redes sociais na última semana, segundo levantamento do Instituto Democracia em Xeque. O monitoramento analisou mais de 74.000 publicações entre os dias 9 e 15 de junho em plataformas como Facebook, Instagram, X, YouTube e TikTok.
De acordo com o relatório, a esquerda ganhou fôlego digital após a divulgação da pesquisa Genial/Quaest, no último dia 10. Naquela data, o campo progressista superou a direita no volume de publicações, concentrando 44% das postagens, contra 41% da direita. O resultado foi impulsionado pela repercussão da ampliação da vantagem do presidente sobre o senador Flávio Bolsonaro.
Perfis alinhados ao governo comemoraram os números e passaram a associar o desgaste do senador ao caso Master, além do possível novo tarifaço dos Estados Unidos. O relatório aponta que parlamentares e influenciadores de esquerda exploraram a narrativa de que Lula estaria consolidando sua liderança enquanto a pré-candidatura de Flávio enfrenta dificuldades.
No campo conservador, o principal eixo de mobilização foi a política externa. A direita intensificou conteúdos que contrapõem a relação de Flávio Bolsonaro com integrantes do governo americano a uma suposta falta de influência de Lula com a administração de Donald Trump. O tema ganhou força com a reunião do G7 e a repercussão de iniciativas atribuídas ao senador junto às autoridades americanas, como a classificação do PCC e CV como organizações terroristas.

Nessa seara, a segurança pública também permaneceu entre os assuntos mais explorados pela oposição, com vários perfis tentando vincular o governo petista ao crime organizado por ter sido contra a medida, uma estratégia que já vinha aparecendo nas semanas anteriores.
Apesar do avanço momentâneo da esquerda após a divulgação das pesquisas, o relatório mostra que a direita manteve predominância na maior parte do período analisado, especialmente nos temas ligados à disputa política direta e à política externa. Já a esquerda concentrou sua força em debates sobre economia, programas sociais e gestão governamental.