‘Brasil sem medo’: PL recomendou a Flávio Bolsonaro foco total na segurança pública
O pré-candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, lançou esta semana um plano chamado “Brasil Sem Medo”, com suas propostas para a área de segurança pública. Antes da divulgação, houve um pré-anúncio nas redes sociais do Zero Um, em que um vídeo gerado por inteligência artificial o mostrava pilotando um avião de guerra com seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no assento de copiloto, ambos com fardas militares.
Na ilustração digital, o filho do capitão reformado empunhava uma metralhadora de grosso calibre e atirava contra lanchas identificadas com as siglas do PCC e do Comando Vermelho, até explodi-las. Uma terceira lancha, com o logo do PT, idêntica às duas primeiras, entrava na mira do herdeiro bolsonarista, mas fugia em seguida.
A cronologia da escolha política de lançar agora um plano de combate à violência e a facções do crime organizado começa com visita de Flávio Bolsonaro a Donald Trump na Casa Branca, pensada como uma urgente virada de pauta em relação à divulgação de áudios do senador pedindo milhões de dólares a Daniel Vorcaro supostamente para a cinebiografia sobre seu pai. E passa por um conselho de aliados, entre eles o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), de que o presidenciável dedicasse esforço total à área de segurança pública na campanha.
Com lugar cativo entre os temas a que eleitores pedem prioridade, a segurança pública é também um calcanhar de aquiles para o presidente Lula. Pesquisa AtlasIntel divulgada no início de junho apontou que 47,6% dos entrevistados consideram péssimo o desempenho do governo federal nessa área e no combate ao crime organizado. No mesmo levantamento, 53,1% aprovaram a decisão do governo Trump de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas, contra a qual Lula já protestou publicamente.
Em seu plano “Brasil Sem Medo”, o Zero Um promete seguir nacionalmente a classificação americana e perseguir as “organizações narcoterroristas” com “força e inteligência para que seus líderes sejam presos e seus negócios ilícitos, asfixiados”. Se depender dele, “bandido armado com fuzil na mão vai ser abatido pelas forças de segurança”. Também defende reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos e punir maiores de 14 anos que cometerem estupro, assassinato, tráfico e tortura.
O programa prevê ainda a construção de cinco novos presídios “no modelo adotado por El Salvador” e a criação de 500.000 novas vagas no sistema prisional em quatro anos, para “zerar o déficit carcerário”, além da castração química de estupradores, do aumento dos investimentos em segurança pública e da instalação de 1 milhão de câmeras para reconhecimento facial de foragidos e vigilância de portos, aeroportos e áreas públicas.