Brasil vai emitir títulos em moeda chinesa para fugir do dólar
O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, formalizou em carta de intenções entregue ao presidente do Banco Popular da China, Pan Gongsheng, a intenção de emitir títulos de dívida brasileira em yuan chinês no mercado local. O anúncio foi realizado em entrevista coletiva em Pequim nesta quarta-feira, 25.
A medida acontece durante um fortalecimento nas relações entre Brasil e China e a temática da desdolarização das economias globais. Isso porque, com a medida, os chineses poderão comprar títulos da dívida pública brasileira sem necessidade de dólar.
Durante a coletiva com a imprensa, Durigan afirmou que o gesto brasileiro é um voto de confiança na China. “Como um sinal de que devemos trabalhar juntos se queremos melhorar a vida de nossas pessoas”, disse o ministro. Em abril, o Brasil também voltou a vender títulos em euro após mais de uma década fora do mercado europeu.
Veja outros pontos que Durigan foi tratar na China
A agenda da missão inclui reuniões com autoridades governamentais, instituições financeiras e representantes do setor privado para discutir iniciativas prioritárias do governo brasileiro, como o Programa Eco Invest Brasil, a Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica (BIP) e o desenvolvimento do mercado regulado de carbono.
A cooperação entre o Brasil e a China em finanças verdes tem potencial para gerar benefícios concretos para ambos os países. A experiência chinesa na mobilização de capital para investimentos sustentáveis, combinada aos esforços brasileiros para estruturar novos instrumentos financeiros voltados à transição ecológica, cria oportunidades para ampliar fluxos de investimento, acelerar a descarbonização da economia e fortalecer cadeias produtivas sustentáveis.
A missão também buscará avançar iniciativas voltadas ao fortalecimento da cooperação institucional entre os dois países, incluindo discussões sobre a criação de uma adidância tributária brasileira na China, mecanismo que poderá contribuir para o aprofundamento da cooperação fiscal, tributária e aduaneira em um contexto de crescente integração econômica bilateral.
Além da agenda financeira, a visita reforça o interesse comum de Brasil e China em ampliar a cooperação em áreas emergentes, como inteligência artificial, economia digital e governança de dados. O intercâmbio de experiências e o desenvolvimento de parcerias tecnológicas são elementos centrais para promover ganhos de produtividade, inovação e desenvolvimento sustentável.
A missão reafirma o compromisso do Brasil com o fortalecimento da parceria estratégica com a China e com a construção de soluções conjuntas para os desafios globais do século XXI, combinando crescimento econômico, inclusão social e sustentabilidade ambiental.