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Calor derrete o PIB: onda extrema impõe prejuízo bilionário e expõe fragilidade da economia europeia

26 de Junho de 2026, 13:29 0 visualizações
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A onda de calor que atinge a Europa deixou de ser apenas uma emergência climática para se tornar um problema econômico. Com temperaturas acima de 40°C em países como Espanha, França e Itália, os prejuízos se espalham por praticamente todos os setores da economia, da indústria aos transportes, passando pelo mercado de energia e pelo mercado de trabalho.

A seguradora alemã Allianz estima que ondas de calor já são um “risco econômico estrutural” para o continente. Segundo a empresa, eventos extremos anteriores reduziram em até 0,5% o Produto Interno Bruto (PIB) anual da Europa e em mais de 1% nas regiões do sul. Como a atual onda de calor ultrapassa os patamares observados em episódios anteriores, o impacto pode ser ainda maior.

Produtividade em queda ameaça crescimento

O principal custo vem da perda de produtividade.

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Pesquisas reunidas pela Allianz indicam que, quando a temperatura ultrapassa 30°C, a produção por hora de trabalho cai cerca de 3% para cada grau adicional entre 30°C e 35°C. Construção civil, agricultura, logística e indústria estão entre os setores mais afetados, já que grande parte das atividades depende de trabalho ao ar livre ou em ambientes pouco climatizados.

A consultoria Oxford Economics calcula que apenas quatro dias de calor extremo podem reduzir em até dois pontos percentuais o crescimento trimestral da produtividade do trabalho na Europa Ocidental.

Energia mais cara pressiona empresas

O segundo maior impacto aparece na conta de energia.

Com milhões de pessoas recorrendo ao ar-condicionado, ventiladores e sistemas de refrigeração, o consumo elétrico dispara justamente quando parte da geração diminui.

As altas temperaturas reduzem a eficiência de usinas térmicas e solares e obrigaram a França a desligar reatores nucleares porque a água dos rios utilizada para resfriamento ultrapassou os limites ambientais permitidos. O resultado foi uma explosão nos preços da eletricidade.

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Na Alemanha, o preço da energia chegou a saltar de € 86 para € 566 por megawatt-hora em um único dia. No Reino Unido, o custo para importar eletricidade da Europa atingiu níveis recordes.

Segundo a Allianz, o consumo de energia cresce cerca de 1,2% para cada grau acima dos 30°C, elevando os custos operacionais das empresas.

Transporte sofre paralisações

A infraestrutura europeia também mostra sinais de desgaste diante do calor extremo.

Trens tiveram velocidade reduzida ou viagens canceladas porque os trilhos se deformam com as altas temperaturas e cabos elétricos perdem eficiência. Os atrasos atingiram diversos países, afetando trabalhadores, turistas e cadeias logísticas.

Menor arrecadação e menos investimentos

A desaceleração da atividade econômica produz efeitos em cascata.

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Com empresas produzindo menos e enfrentando custos maiores, diminuem os lucros, os investimentos e também a arrecadação de impostos. A Allianz alerta que essa combinação reduz a capacidade dos governos de financiar justamente as adaptações necessárias para enfrentar futuras ondas de calor.

Prejuízo pode chegar a centenas de bilhões de dólares

Em um cenário em que os cinco anos mais quentes registrados entre 2014 e 2024 se repitam continuamente entre 2026 e 2030, a Allianz projeta perdas acumuladas de 5% a 7% do PIB em França, Alemanha, Itália e Espanha.

Em valores absolutos, isso representa cerca de US$ 240 bilhões (R$ 1,32 trilhão) para a França, US$ 147 bilhões (R$ 809 bilhões) para a Itália, US$ 131 bilhões (R$ 721 bilhões) para a Alemanha e US$ 120 bilhões (R$ 660 bilhões) para a Espanha.

Europa é especialmente vulnerável

Especialistas afirmam que o continente está menos preparado para enfrentar temperaturas extremas do que outras economias desenvolvidas.

Apenas 19% dos edifícios europeus possuem ar-condicionado, contra cerca de 90% nos Estados Unidos. Além disso, muitas cidades foram construídas para conservar calor durante o inverno, possuem população envelhecida e infraestrutura pouco adaptada a verões cada vez mais intensos.

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Para analistas, o calor extremo deixou de ser um evento excepcional e passou a representar um fator permanente de risco para a competitividade da economia europeia.

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