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Calorão na Europa quebra recordes: 191 milhões estão sob mais de 35ºC

28 de Junho de 2026, 14:36 0 visualizações

Uma onda de calor extremo avançou da Escandinávia aos Alpes neste fim de semana, deixando a Europa prostrada sob temperaturas sufocantes que já superaram a marca histórica de 40ºC em diversas regiões. O fenômeno climático, apontado como o responsável direto por centenas de mortes à medida que se desloca em direção ao leste do continente, provocou o fechamento de rodovias e acendeu o alerta máximo das autoridades de saúde.

Neste domingo (28/6), a expectativa da agência de notícias Associated Press é que ao menos 191 milhões de pessoas sejam expostas a marcas iguais ou superiores a 35ºC em território europeu.

O calor ganha contornos particularmente dramáticos na Alemanha, República Tcheca, Hungria e Polônia, onde os índices de umidade e a sensação de abafamento sobrecarregam as redes de assistência e a infraestrutura urbana.

O ápice do sistema instável já vinha dando sinais na véspera, quando Alemanha, Dinamarca e República Tcheca registraram as piores marcas térmicas de suas histórias nesse sábado (27/6).

O colapso climático soma-se aos recordes quebrados no início da semana na França — onde o governo atribuiu cerca de mil mortes às altas temperaturas em apenas três dias — e no Reino Unido, consolidando o período como um dos mais letais da história recente europeia.

Cientistas afirmam que a onda de calor sufocante teria sido praticamente impossível sem as mudanças climáticas provocadas pela queima de combustíveis fósseis, que tornaram as temperaturas noturnas desta semana 100 vezes mais prováveis do que seriam há apenas duas décadas.

“Esse calor não é um clima de verão agradável. É uma crise de saúde”, disse, no X, Katrin Goering-Eckardt, deputada federal alemã e ex-líder do Partido Verde.

Canhões de água

O calor era tão intenso em Berlim, onde as temperaturas chegaram a 39°C no sábado, que a polícia mobilizou dois canhões de água pela cidade para borrifar névoa sobre pessoas em busca de alívio.

O novo recorde preliminar da Alemanha no sábado, de 41,5ºC em Möckern-Drewitz, no estado oriental da Saxônia-Anhalt, superou um recorde estabelecido apenas um dia antes, de 41,3°C perto de Saarbrücken, na fronteira com a França, informou o Serviço Meteorológico Alemão.

O Instituto Meteorológico Dinamarquês, por sua vez, registrou 37ºC ao norte da cidade de Aarhus no sábado, a temperatura mais alta desde o início das medições, em 1874.

Medições preliminares na República Tcheca também mostraram temperaturas recordes na tarde de sábado, com 40,8ºC registrados ao norte de Praga, informou o Instituto Hidrometeorológico Tcheco.

Autoridades alemãs emitiram alertas de calor extremo para quase todo o país no sábado. À medida que a onda de calor avançava para o leste, as temperaturas ultrapassaram os 30ºC em praticamente toda a Polônia.

Liquidações de verão prorrogadas

Na França, temperaturas acima de 40°C interromperam o transporte ferroviário e a geração de energia, levaram a restrições no consumo de álcool, suspensão de aulas e adiamento de eventos ao ar livre. Até mesmo as liquidações de verão prorrogadas, porque as altas temperaturas afastaram a clientela.

O Ministério da Saúde da Itália emitiu alerta vermelho para a onda de calor em 18 cidades, incluindo Milão, Roma, Turim, Veneza, Gênova, Florença e Bolonha, para sábado e domingo. O fluxo do rio Pó caiu drasticamente, com a água do mar avançando para o interior, representando ameaças à agricultura local e ao ecossistema da principal via fluvial da Itália.

Mesmo à noite, nos Alpes, houve pouco alívio, com as temperaturas em Bolzano, no Tirol do Sul, na Itália, não caindo abaixo de 25,4ºC, segundo o meteorologista da cidade, Dieter Peterlin — um recorde para junho. Ecologistas temem pelos geleiras da Europa.

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