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Catar contradiz Trump e descarta negociações diretas entre EUA e Irã no país

30 de Junho de 2026, 11:26 0 visualizações
Catar contradiz Trump e descarta negociações diretas entre EUA e Irã no país

O Catar afirmou nesta terça-feira, 30, que não há reuniões de alto nível ou negociações diretas previstas entre Estados Unidos e Irã em Doha, após Washington anunciar o envio de uma delegação ao país.

“Até onde sei, não há reuniões diretas programadas entre as duas partes nos próximos dias”, declarou à imprensa em Doha o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed Al Ansari, que acrescentou que a delegação americana se reunirá com os mediadores nas negociações com o Irã.

O Catar atua como mediador, juntamente com o Paquistão, nas negociações entre os dois países com o objetivo de pôr fim à guerra no Oriente Médio.

Na véspera, presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia afirmado que Teerã “pediu” uma reunião com os americanos e que ela aconteceria na capital catari. Kazem Gharibabadi, o principal negociador do Irã, por sua vez, sustentou que não havia nenhuma reunião de grupos de trabalho técnicos agendada para esta semana.

+ Após escalada de ataques, EUA e Irã concordam em suspender disparos e renovar negociações

Clima tenso

Segundo o portal de notícias americano Axios, as negociações em Doha teriam objetivo de solucionar as disputas sobre o Estreito de Ormuz, por onde, em um período normal, trafega quase 20% da produção global de combustíveis. A nevrálgica rota marítima foi reaberta na semana passada, depois de permanecer fechada pelo Irã desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, em retaliação aos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel. A paralisação da navegação afetou os mercados globais com a disparada do petróleo, que ficou por meses acima de US$ 100.

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A declaração de Trump veio pouco depois de Washington e Teerã concordarem em suspender trocas de ataques, após acusações, nos últimos dias, sobre violações do cessar-fogo – uma escalada das hostilidades que colocou em risco o memorando de entendimento assinado há cerca de dez dias.

“As discussões técnicas estão programadas para continuar sobre todas as áreas do memorando de entendimento”, informou a fonte do governo americano às agências de notícias Reuters e AFP em um e-mail. “As partes vão recuar no momento e os navios poderão transitar livremente” pelo Estreito de Ormuz, acrescentou.

Disputas sobre o estreito

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, voltou a afirmar no domingo que apenas o Irã é “responsável” pela gestão do estreito, ecoando afirmações de outras autoridades do país. Ele advertiu que adotar medidas diferentes “levará apenas a situações mais complicadas e a atrasos na reabertura do Estreito de Ormuz”.

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O Irã não gostou do anúncio de Omã de uma rota próxima à sua costa, apresentada como uma iniciativa coordenada com uma agência das Nações Unidas responsável pela segurança marítima. Dezenas de embarcações utilizaram a rota durante a semana passada.

Teerã permitiu a passagem por um único corredor próximo à sua costa, mas ameaçou atacar qualquer navio que viole suas condições. Desde a última quinta-feira, dois navios foram atingidos por projéteis de origem desconhecida nesta passagem marítima, incidentes que o governo dos Estados Unidos atribuiu à Guarda Revolucionária Islâmica e ao qual respondeu com bombardeios contra a nação persa.

Na madrugada de domingo, a guarda anunciou o lançamento de mísseis e drones em direção ao Kuwait e ao Bahrein.

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