CazéTV ‘acompanha com atenção’ a negociação dos direitos da Copa de 2030
Com a recente revolução do streaming, o futebol deixou de ser uma experiência fechada na sala de casa e se transformou em um conteúdo móvel, que acompanha o torcedor onde ele estiver através da internet. No meio dessa mudança na lógica da transmissão esportiva, a antes soberana Globo abriu mão da exclusividade e de metade dos jogos da Copa do Mundo de 2026, fazendo com que parte do público migrasse para o SBT e para a CazéTV, que exibe todos os jogos do torneio no YouTube.
Para 2030, a disputa deve ser dura, dado a batalha por audiência que vem se desenrolando entra os canais. Há algumas semanas, dizia-se nos bastidores que a FIFA estaria preocupada com o modelo de negócios da Cazé, o que poderia atrapalhar as negociações para a próxima copa. A entidade, no entanto, declarou ao Estadão que não vê conflito de interesses na atuação da LiveMode, empresa responsável pela aquisição de direitos do torneio no Brasil e controladora do canal digital.
Em entrevista exclusiva para reportagem de VEJA, o executivo Felipe Tebet, head de Conteúdo da CazéTV, falou que o canal “acompanha com atenção” as negociações pelos direitos, e analisou os resultados das primeiras semanas de transmissão do torneio de 2026. Confira a seguir:
Esta é a segunda Copa da CazéTV, e a primeira em que o canal exibe todos os jogos. Como vê a competição com Globo e SBT? A CazéTV não enxerga o cenário como uma competição, mas como uma complementaridade. As pessoas têm opções, escolhem a plataforma, o estilo de transmissão, o tom que preferem. Isso é muito saudável para o esporte e para o torcedor. Ficamos muito felizes em perceber o crescimento da nossa audiência e o crescimento da Copa do Mundo de uma maneira geral.
Há uma diferença muito grande entre os jogos exclusivos e os que não o são em questão de audiência? As maiores audiências ainda são nos jogos do Brasil, exatamente quando os torcedores tem ótimas opções de onde assistir. Isso nos dá a satisfação de saber que milhões de pessoas escolheram a CazéTV. Registramos audiências muito altas nos jogos exclusivos, o que traz uma certa lógica, mas de forma geral temos tido audiências muito boas, que evidencia que temos fãs que passam o dia com a gente.

A TV aberta segue tendo um peso grande para a Copa, mas muitos recordes foram batidos no YouTube. Como a Cazé vê os resultados do digital nessa primeira fase? Os números superaram qualquer expectativa que tínhamos — não só pelos recordes de transmissões ao vivo mais assistidas simultaneamente no YouTube no mundo, mas também pelos dados de alcance nas plataformas e nas redes sociais. No último jogo do Brasil, a live alcançou 37,4 milhões de aparelhos. No Instagram, o alcance já é de 179,4 milhões de contas. O recorde mundial de pico de dispositivos simultâneos foi superado na estreia do Brasil, com 12,7 milhões de dispositivos conectados ao mesmo tempo e, em seguida, também na segunda partida, contra o Haiti, com 16,1 milhões de aparelhos, e da Escócia, com 18,2 milhões de dispositivos ligados no nosso canal.
Os direitos da transmissão da Copa de 2030 seguem em aberto. O que pode adiantar sobre os planos da Live Mode e da CazéTV para a competição? Acompanhamos com atenção todas as negociações de direitos relevantes, mas, neste momento, toda a nossa energia está concentrada em entregar a melhor Copa de 2026 possível para o torcedor brasileiro.