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Cessar-fogo ‘quase total’ no Líbano não dissipa tensões e testa negociação EUA-Irã

22 de Junho de 2026, 14:34 0 visualizações
Cessar-fogo ‘quase total’ no Líbano não dissipa tensões e testa negociação EUA-Irã

Autoridades libaneses informaram nesta segunda-feira, 22, que o cessar-fogo implementado há três dias no país, com intuito de interromper os combates entre Israel e a milícia Hezbollah, está sendo amplamente respeitado. Segundo uma fonte consultada pela agência de notícias Reuters, a adesão à trégua tem sido “quase total” desde a noite do último sábado.

No entanto, a mesma fonte relatou que um tanque israelense disparou projéteis contra uma vila perto da cidade litorânea Tiro, no sudoeste do Líbano, e que forças de Israel lançaram granadas de efeito moral em outros dois locais nesta segunda. Um drone israelense também sobrevoou Beirute.

A tensão permanente nesta frente da guerra no Oriente Médio tem testado o acordo provisório entre os Estados Unidos e o Irã para encerrar o conflito regional. No final de semana, Teerã anunciou que havia voltado a fechar o Estreito de Ormuz, alegando que Washington não cumpriu o compromisso de cessar os combates no Líbano.

O vice-presidente americano, J.D. Vance, que liderou sua delegação na primeira rodada de negociações com o Irã no fim de semana, afirmou que houve progresso rumo ao fim das hostilidades no Líbano e que o Estreito está aberto novamente. Ele disse que a questão libanesa “é um processo em andamento”.

Calma tensa

Há, pelo menos, uma calmaria amplamente desconhecida desde que as bombas começaram a cair em território libanês, em 2 de março, pouco após o início da guerra ao Irã. Hassan Wazni, diretor de um hospital em Nabatieh – cidade no sul do país que foi fortemente atacada durante o conflito – disse que a poeira baixou desde a noite de sábado.

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“Estou monitorando a situação diariamente e, na maior parte do tempo, durmo no hospital. Este é o cessar-fogo mais longo que já duramos”, disse ele à Reuters por telefone.

No entanto, o médico fez uma ressalva: a população deslocada pelos bombardeios ainda hesita em voltar para casa, temerosa de uma retomada dos ataques. O cessar-fogo imposto na sexta-feira chegou a entrar em colapso momentaneamente no sábado, quando 20 pessoas morreram no Líbano por disparos israelenses, segundo a Defesa Civil libanesa.

“As pessoas ainda estão inquietas”, disse Wazni. O conselho municipal da vila de Zawtar El Charqiyeh, em um comunicado divulgado nas redes sociais, orientou que os moradores não retornem até que seja totalmente seguro.

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As forças israelenses permanecem posicionadas no interior do sul do Líbano, ocupando o que chamam de “zona de segurança” onde vilarejos foram reduzidos a escombros (de acordo com os militares, o Hezbollah se infiltrou em áreas civis). Mas, refletindo a redução das tensões, o Exército suspendeu as restrições de segurança em oito comunidades no norte de Israel, próximas à fronteira libanesa, a partir das 6h locais desta segunda.

O imbróglio do Líbano nas negociações EUA-Irã

Uma declaração conjunta emitida ao final das primeiras conversas entre os Estados Unidos e o Irã, mediadas pelo Paquistão e Catar na Suíça, afirmou que as partes concordaram em criar uma “célula de desconflito” para garantir o cumprimento do cessar-fogo no Líbano.

Israel, porém, ainda não se pronunciou sobre o assunto.

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Por insistência do Irã, um acordo provisório assinado com os Estados Unidos na semana passada exige que Washington, Teerã e seus aliados imponham o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes da guerra no Oriente Médio, incluindo o Líbano.

Na última sexta, Israel e Hezbollah concordaram com um novo cessar-fogo, enquanto ainda vigorava uma trégua que, embora estendida em meio a negociações entre autoridades israelenses e o governo libanês com mediação de Washington, ficou só no papel.

Depois disso, o presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou ter discutido os esforços para manter de pé o atual cessar-fogo e impedir a escalada militar israelense durante uma conversa telefônica com Vance. Também participaram o primeiro-ministro do Catar, o xeque Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, e o genro de Donald Trump, Jared Kushner, que no seu primeiro mandato atuou como enviado especial para o Oriente Médio.

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Desde que o Hezbollah abriu fogo contra Israel em apoio ao Irã em 2 de março, os ataques de retaliação ao Líbano mataram 4.106 pessoas, incluindo 773 mulheres, crianças e profissionais de saúde, segundo o Ministério da Saúde do país. O número de mortos não especifica quantos são combatentes do grupo armado.

Além disso, cerca de 1,2 milhão de pessoas foram forçadas a fugir de suas casas no Líbano.

Do outro lado, o número de mortos em Israel devido aos ataques do Hezbollah inclui pelo menos 32 soldados e quatro civis.

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