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Cientistas mapeiam áreas de corais mais resistentes à crise climática

16 de Junho de 2026, 21:40 0 visualizações
Cientistas mapeiam áreas de corais mais resistentes à crise climática
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Uma pesquisa internacional identificou cerca de 166 mil quilômetros quadrados de recifes de coral com capacidade de resistir e se recuperar dos efeitos das mudanças climáticas, uma área três vezes maior do que as estimativas anteriores.

O levantamento foi divulgado nesta terça-feira (16) e pode influenciar estratégias de conservação marinha em dezenas de países.

Os recifes de coral estão entre os ecossistemas mais ameaçados pelo aquecimento global. O aumento da temperatura dos oceanos tem provocado episódios cada vez mais frequentes de branqueamento em massa, fenômeno que ocorre quando os corais expulsam as algas responsáveis por fornecer energia e cor aos organismos. Em casos extremos, o processo leva à morte dos recifes.

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Apesar do cenário de deterioração observado em diversas regiões, o novo estudo aponta que existem áreas com maior capacidade de adaptação e recuperação.

Levantamento reúne décadas de dados

Os pesquisadores analisaram aproximadamente 45 mil levantamentos de campo realizados ao longo de décadas, cruzando as informações com dados climáticos e oceanográficos históricos.

O resultado foi a identificação de recifes considerados resilientes em 71 países e mais de 100 territórios. Algumas dessas áreas estão localizadas no Caribe e nos oceanos Pacífico e Atlântico e não haviam sido anteriormente reconhecidas como prioritárias para conservação.

Segundo os autores, a descoberta amplia significativamente o mapa das regiões capazes de servir como refúgio para a biodiversidade marinha em um cenário de aquecimento contínuo dos oceanos.

Ecossistemas essenciais para a vida marinha

Embora ocupem menos de 1% do fundo oceânico, os recifes de coral abrigam cerca de 25% de todas as espécies marinhas conhecidas. Eles também desempenham papel importante na proteção de áreas costeiras contra erosão e tempestades, além de sustentar atividades econômicas ligadas à pesca e ao turismo.

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Nas últimas décadas, porém, esses ecossistemas vêm sofrendo impactos crescentes causados pela elevação da temperatura do mar, pela acidificação dos oceanos, pela poluição e pela sobrepesca.

Dados da iniciativa científica Global Coral Reef Monitoring Network mostram que o mundo perdeu aproximadamente 14% de sua cobertura de corais entre 2009 e 2018. Nos últimos dois anos, um novo evento de branqueamento em escala planetária atingiu dezenas de países, impulsionado por temperaturas recordes dos oceanos.

Meta internacional de conservação

Os resultados chegam em um momento em que governos elaboram planos para cumprir a meta conhecida como “30 por 30”, aprovada durante a COP15 da Biodiversidade, em Montreal, no Canadá. O objetivo é colocar 30% das áreas terrestres e marinhas do planeta sob algum tipo de proteção até 2030.

Atualmente, apenas 28% dos recifes considerados resilientes estão dentro de áreas oficialmente protegidas, segundo os pesquisadores.

A expectativa é que o novo mapeamento ajude governos a direcionar recursos para regiões com maior potencial de preservação e recuperação.

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Recursos limitados exigem escolhas difíceis

Os autores do estudo afirmam que os dados também podem auxiliar na definição de prioridades diante da limitação de recursos financeiros para conservação.

Em algumas regiões, o nível de degradação já é tão elevado que esforços de recuperação podem apresentar resultados reduzidos. Nesses casos, especialistas defendem concentrar investimentos em áreas com maior probabilidade de sobrevivência no longo prazo.

A estratégia reflete uma mudança crescente na ciência da conservação, que busca identificar os chamados “refúgios climáticos”, locais capazes de suportar melhor os impactos das mudanças climáticas e funcionar como reservatórios de biodiversidade para o futuro.

Próximo El Niño preocupa cientistas

Apesar do avanço representado pelo estudo, pesquisadores alertam que a situação dos recifes continua crítica.

Meteorologistas acompanham a possibilidade de formação de um novo episódio intenso do fenômeno El Niño nos próximos anos. O aquecimento adicional das águas superficiais do Pacífico costuma elevar as temperaturas dos oceanos em escala planetária, aumentando o risco de novos eventos de branqueamento.

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Para os autores, a identificação dos recifes mais resistentes oferece uma oportunidade inédita de proteção, mas não substitui a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Sem conter o avanço do aquecimento global, afirmam os pesquisadores, mesmo os recifes considerados mais resilientes poderão enfrentar dificuldades para sobreviver nas próximas décadas.

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