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Coisa para futuros reis: a escola mais exclusiva – e bizarra – do mundo

17 de Junho de 2026, 09:46 0 visualizações
Coisa para futuros reis: a escola mais exclusiva – e bizarra – do mundo

Todo mundo vai querer tirar selfie com o príncipe George e o futuro rei será tratado com rapapés excepcionais em Eton, a escola onde ele estudará por cinco anos, dos 13 aos 18, a partir de setembro? Errado. Pelas regras do esnobismo reinante nas classe dominantes, George receberá o mesmo tratamento que os outros meninos – a escola é uma raridade por não ter revertido a exclusividade masculina – ou até um pouco mais severo.

Seu pai, William, sentiu isso, assim como o tio, Harry. Muitos alunos são de famílias mais ricas e até mais tradicionais do que os Windsor, uma dinastia de origem alemã que mudou de nome durante a I Guerra Mundial para romper os laços com um primo complicado, o imperador, ou Kaiser, Guilherme.

Disse ao Telegraph um contemporâneo do atual príncipe de Gales sobre a forma como o herdeiro era tratado: “Nós não ficávamos impressionados com William e acho que ele não ia querer isso. Ele era popular, mas só mais um da multidão”.

Obviamente, multidão é um exagero para uma escola no topo do topo da elite, com mais de 600 anos de história – foi criada em 1400 pelo rei Henrique VI. Tornou-se praticamente a matriz do sistema de colégios internos e muitas das excentricidades de Hogwarts, a escola de Harry Potter, foram inspiradas nela. JK Rowling já deu uma palestra lá. Tradicionalmente, era um celeiro das classes dominantes.

CONTROLE EMOCIONAL

A fama internacional de Eton coincidiu com o ápice do império britânico e se projetou além dele. Estudaram lá o príncipe Tokugawa Iesato do Japão, o futuro rei Leopoldo III da Bélgica, o príncipe Nicholas da Romênia e o herdeiro do trono do Nepal, Dipendra, protagonista de uma tragédia sem precedentes: em 2001, matou os pais e se suicidou.

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Monarquias derrubadas eram tratadas com o mesmo distanciamento esnobe que outras tragédias. Quando a princesa Diana morreu no acidente em Paris, centenas de colegas de William escreveram cartas de pêsames, como exige a boa educação, mas ninguém falou no assunto diretamente com ele quando voltou para o colégio. Nessas horas, o cuidadoso controle emocional que faz parte da cultura britânica provavelmente ajuda.

O que não significa que os alunos não comentem intensamente os assuntos do momento, inclusive ou principalmente políticos. Ter estudado em Eton (e depois em Oxford ou Cambridge) deslanchou muitas carreiras, contabilizando mais de 20 primeiros-ministros, incluindo William Gladstone, David Cameron e Boris Johnson. Desses dois, persistem as fotos com o uniforme que sobrevive a todas as tentativas de diminuir a aura elitista de Eaton: fraque preto, calça listada, camisa branca com colarinho sobreposto e gravata borboleta branca. Bem diferente dos moletons e bermudões que dominam o ensino em todas as esferas.

Quem quiser seguir a outra única carreira considerada aceitável, no passado, para um membro da elite, a de escritor, tem precedentes como Percy Shelley, Ian Fleming, George Orwell e Aldous Huxley. Se tiver pendor pelo pensamento econômico, John Maynard Keynes pode ser uma inspiração. Os alunos mais populares são os que se destacam nos esportes e nas artes cênicas, uma tradição, com 18 peças montadas por ano na escola,por onde passaram atores como Hugh Laurie, Eddie Redmayne e Dominic West. 

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REDE DE CONTATOS

Pode ser uma carga muito grande? Sem dúvida nenhuma. O príncipe Harry disse em sua autobiografia, com humor autodepreciativo tipicamente britânico, que Eton “podia ser o paraíso para meninos brilhantes e o purgatório para um menino nada brilhante”.

Pelo menos ele não pegou mais a era dos castigos corporais como vergastadas nas nádegas, que só terminou em 1984. 

Os ex-alunos da escola são conhecidos como Old Etonians, sinônimo também de uma rede de contatos preciosos para a vida inteira. 

Networking sempre foi um dos maiores atrativos de instituições como Eton. Até que sai barato para quem pode bancar 63 mil libras – mais de 430 mil reais – por ano pelo privilégio de ter uma educação primorosa, incluindo curso de grego antigo; um quarto privado (raridade nos internatos) e o direito, talvez até obrigação, de tratar um príncipe como mais um da turma.

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