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Como a eleição na Colômbia mudou o tabuleiro político da América do Sul

22 de Junho de 2026, 18:21 0 visualizações
Como a eleição na Colômbia mudou o tabuleiro político da América do Sul

A vitória de Abelardo de la Espriella na eleição presidencial da Colômbia, neste domingo, 21, redesenhou o equilíbrio político da América do Sul. Com a derrota do esquerdista Iván Cepeda, apoiado pelo presidente Gustavo Petro, a direita passou a controlar sete dos doze governos do continente e assumiu a dianteira no tabuleiro regional.

A mudança consolida uma sequência de vitórias eleitorais de candidatos conservadores iniciada em 2025. Antes da Colômbia, a direita já havia conquistado o poder na Bolívia, em outubro de 2025, com a vitória de Rodrigo Paz, que derrotou os candidatos ligados ao Movimento ao Socialismo (MAS), encerrando quase duas décadas de predominância da esquerda no país. Dois meses depois, em dezembro, José Antonio Kast venceu as eleições presidenciais chilenas, sucedendo o esquerdista Gabriel Boric.

+ As propostas ultraliberais inspiradas em Milei e Bukele do presidente eleito da Colômbia

Como fica o mapa político da América do Sul

Esquerda (4):

Brasil — Luiz Inácio Lula da Silva
Guiana — Irfaan Ali
Suriname — Jennifer Simons
Uruguai — Yamandú Orsi

Direita (8):

Argentina — Javier Milei
Bolívia — Rodrigo Paz
Chile — José Antonio Kast
Colômbia — Abelardo de la Espriella
Equador — Daniel Noboa
Paraguai — Santiago Peña
Peru — Keiko Fujimori*

Venezuela — Delcy Rodríguez**

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*Embora a apuração peruana ainda não tenha sido oficialmente concluída, Keiko Fujimori mantém vantagem de cerca de 41.000 votos sobre o esquerdista Roberto Sánchez com mais de 99% das urnas contabilizadas. 

**Oficialmente bolivariana, mas sob o comando dos Estados Unidos após detenção de Nicolás Maduro. 

Da ‘onda rosa’ à maioria conservadora

A alternância entre governos de esquerda e direita é uma constante na política sul-americana. No início dos anos 2000, a região foi marcada pela chamada “onda rosa”, fenômeno que levou lideranças progressistas ao poder em diversos países e consolidou a hegemonia da esquerda no continente.

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O movimento foi impulsionado pelo ciclo de alta das commodities, alimentado principalmente pela demanda chinesa, que permitiu o financiamento de programas sociais e políticas de redistribuição de renda em várias economias latino-americanas.

Em 2015, oito dos doze países da América do Sul eram governados por presidentes de esquerda. A partir da segunda metade da década, porém, crises econômicas, escândalos políticos e o desgaste de grupos que permaneceram longos períodos no poder abriram espaço para o avanço de candidatos conservadores.

Após uma nova oscilação favorável à esquerda durante os anos da pandemia, o pêndulo voltou a se mover. As vitórias de Rodrigo Paz na Bolívia, José Antonio Kast no Chile e agora Abelardo de la Espriella na Colômbia consolidam uma nova maioria de direita no continente e evidenciam o caráter instável do eleitorado sul-americano, com posicionamentos firmes em temas como segurança, imigração e benefícios sociais. 

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