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Como é andar num carro guiado por IA? Testei e conto para você aqui

16 de Julho de 2026, 10:47 5 visualizações
Como é andar num carro guiado por IA? Testei e conto para você aqui

Você entra no automóvel, ouve uma saudação com seu nome, mas não tem ninguém lá dentro. Aí se dá conta que a voz que acaba de falar com você é meio robótica e cai a ficha: este não é apenas mais um carro de aplicativo. Estamos em um veículo autônomo, guiado por uma inteligência artificial.

Fazia tempo que queria experimentar o serviço da empresa com mais carros autônomos em circulação nos Estados Unidos atualmente, a Waymo. Nenhum deles roda no Brasil ainda — e, a bem da verdade, não existe nem sinal de que isso esteja para acontecer num futuro próximo. Daí aproveitei que fui a São Francisco para cobrir um evento chamado Snowflake Summit e encarei o carro que tem tudo, menos motorista.

Tudo mesmo. A começar pelo fato de ser um Jaguar I-PACE, carro que parece ter sido projetado para agradar quem gosta de dirigir. Eu sei, muito irônico que logo este seja o modelo que não tem ninguém ao volante. Mas conto mais do carro já, já. Enquanto isso, deixo um vídeo que fiz enquanto o carro girava pela cidade, confira abaixo.

 

Primeiro desafio: conseguir baixar o aplicativo

Chamar um carro da Waymo pode ser complicado para brasileiros que usam iPhone, porque nossa conta da Apple não oferece o aplicativo. Uma amiga generosa que mora na Califórnia logou no meu celular e, assim, consegui contornar o problema.

O preço foi o equivalente a uma corrida de Uber, o tempo de chegada após eu pedir o carro também. O veículo parou um pouco à frente de onde eu estava, exatamente no local marcado pelo GPS, coisa que um aceno a um motorista humano teria resolvido. Mas, ok, nada grave aqui.

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O carro chega trancado, é preciso abrir pelo próprio aplicativo. Depois de entrar e dar oi para ninguém, você inicia a corrida numa tela que fica virada para o banco de trás do carro.

Pode cantar, pode gritar, ninguém vai ouvir

A mesma voz robótica que me saudou listou instruções de usar cinto de segurança. Em seguida, avisou que podia ouvir música alta e berrar o quanto quisesse. Afinal de contas, não tem ninguém para se queixar. É possível conectar o Spotify e outros apps para usar o sistema de som interno.

Divertido cantar alto num carro guiado por uma IA, admito. Porém, também me ocorreu que se eu precisasse de ajuda talvez fosse complicado. Mas a voz robótica avisou que tem botão para falar com alguém, caso surgisse alguma urgência.

IAs dirigem bem, afinal de contas?

Olha, achei ótimo. O carro seguiu todas as regras de trânsito, não fechou ninguém, não tomou nenhuma decisão que me pareceu equivocada. Achei que a IA guia melhor que várias pessoas que conheço. Só é estranho ver o volante se mexer sozinho, mas me acostumei depressa.

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O carro é extremamente limpo, até porque se acontecer contratempos com imundície produzida por passageiros pós-balada (entendeu, né?) o automóvel pode ser encaminhado para lavagem com menos transtorno do que rolaria para um motorista humano. E claro, a Waymo cobra taxas quando passageiros deixam sujeira excessiva.

Quando mostrei vídeo da corrida no meu Instagram, uma pessoa falou que carros assim poderiam virar um motel. Acho pouco provável, porque o fato de não ter gente dentro não quer dizer que não tenha gente vendo. O veículo é cheio de câmera, então só alguém bem desencanado conseguiria não se importar com elas.

O que um carro guiado por IA tem de diferente?

O automóvel tem sensores e câmeras que captam imagens e informações sobre a rua, outros carros, pedestres, sinais de trânsito, semáforos… Enfim, tudo que ele precisa saber para fazer o trabalho dele. Alguns sensores, como um que se chama LIDAR, conseguem criar um mapa 3D do ambiente em volta do carro.

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Também tem radares de outros tipos que ajudam a medir a distância de outros objetos em condições climáticas desafiadoras, mesmo que o dia esteja escuro ou se o carro for rodar à noite, na chuva, em neblina, nevoeiro.

E, do mesmo jeito que a gente colocamo um endereço no GPS, o sistema recebe um destino. A diferença é que ele não depende apenas do sinal de satélite. A Waymo combina mapas detalhados com os dados coletados em tempo real pela tecnologia embarcada no carro. É como se alguém fundisse o Waze e o Uber numa máquina só, numa versão mais fermentada.

A IA é muito chique: anda de Jaguar

O Jaguar I-PACE tem dois motores elétricos, um em cada eixo, formando um sistema de tração integral permanente. Juntos, entregam 400 cv de potência e 696 Nm de torque disponíveis instantaneamente. Na prática, isso significa acelerações vigorosas em qualquer velocidade — muito embora a IA seja prudente e não faça nada brusco (pelo menos não fez enquanto o passageiro era eu).

O visual também foge do lugar-comum. Em vez de copiar o desenho tradicional dos SUVs, o I-PACE mistura proporções de crossover, cupê e hatch esportivo. O capô curto, a cabine avançada e as linhas musculosas deixam claro que o objetivo era privilegiar aerodinâmica sem abrir mão da identidade da Jaguar.

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Talvez o maior elogio ao I-PACE seja justamente o fato de ele ter sido escolhido pela Waymo. Para um robotáxi, seus 400 cv são quase um luxo desnecessário. Mas a base elétrica, o espaço interno, a tração integral e o rodar confortável fazem sentido para um serviço que precisa transportar passageiros durante boa parte do dia.

Ao chegar ao destino, ele deu uma volta a mais porque um carro impedia que a gente virasse à esquerda, já a poucos metros de onde eu desceria. Aqui, sim, senti falta de poder falar para um humano: “Moço, pode encostar ali mesmo que eu caminho esse trechinho.”

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Alvaro Leme é doutorando e mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, jornalista e criador do podcast educativo Aprenda

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