Como o Brasil virou uma potência no mercado mundial da aviação
Uma das polêmicas mais antigas que ainda permanecem no ar diz respeito a quem inventou o avião — se foi o brasileiro Santos Dumont ou os irmãos americanos Wright. Dependendo da torcida, a resposta pende para um lado ou para outro. Do que ninguém hoje duvida: o Brasil tornou-se uma potência no mercado mundial da aviação. A razão disso tem nome: a Embraer. Criada em 1969, pouco após o lançamento de VEJA, como projeto que unia a tecnocracia estatal, universidades e o setor privado, a companhia farejou oportunidades na seara dos aviões regionais. Ao ser privatizada, nos anos 1990, ela decolou de vez, ganhando competitividade internacional e acelerando a inovação. Atualmente, é uma das maiores fabricantes de aeronaves do mundo e líder em jatos regionais de até 150 assentos. Agora, está na vanguarda de uma invenção cotada para sacudir a aviação: os chamados carros voadores. A Eve Air Mobility, controlada pela Embraer, acelerou o desenvolvimento de seu veículo elétrico de decolagem e pouso vertical (eVTOL), consolidando o país como player na área. Desde o voo inaugural, em dezembro, a Eve já concluiu 59 testes. Para viabilizar as operações, a empresa desenvolveu o Eve Vector, software de gerenciamento de tráfego aéreo urbano, e garantiu 1,2 bilhão de dólares em financiamentos. A primeira fábrica, em Taubaté (SP), terá capacidade inicial de 480 aeronaves por ano. O mercado responde com otimismo: a Eve já acumula 3 000 encomendas pelo mundo. Se os carros voadores transformarem realmente a paisagem das cidades, o Brasil terá papel notável nessa revolução.
Publicado em VEJA de 19 de junho de 2026, edição nº 3000