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Como ‘Toy Story 2’ quase levou o estúdio Pixar à ruína

17 de Junho de 2026, 17:23 0 visualizações
Como ‘Toy Story 2’ quase levou o estúdio Pixar à ruína

Muito antes de Toy Story 5 ser um sucesso de bilheteria garantido, a franquia de animação já correu o risco de cair no ostracismo e levar o estúdio Pixar consigo graças aos bastidores turbulentos de Toy Story 2. O filme hoje é um clássico amplamente amado, responsável por apresentar ao público Jessie, Zurg e outros personagens, mas já foi motivo de muita dor de cabeça para o ex-diretor de criação da empresa, John Lasseter, e até para Steve Jobs.

Braços curtos

O ano era 1997 e os 300 funcionários da Pixar estavam focados na produção de Vida de Inseto, que seria lançado no ano seguinte. Ao mesmo tempo, a Disney — até então mera parceira de trabalho e não proprietária de estúdio — demonstrava alta demanda por uma sequência de Toy Story. O plano inicial, então, era elaborar um filme a ser distribuído apenas em fitas VHS e DVDs, sem exibições em salas de cinema. Mesmo assim, o trabalho seria árduo, e por isso Steve Jobs eliminou o departamento voltado para jogos de computador e os colocou para trabalhar na pré-produção do longa-metragem.

O grupo de 95 funcionários se esforçou para criar novos modelos de animação, mas o ritmo ainda não foi satisfatório para a Disney, que forçou o estúdio a trocar o produtor Ralph Guggenheim pela dupla Karen Jackson e Helene Plotkin — primeiro strike.

Pouco depois da dança das cadeiras, em novembro de 1997, o material inicial de Toy Story 2 foi exibido para executivos da Disney, que ficaram impressionados e decidiram que um lançamento em cinemas seria mais apropriado e rentável.

Deslize apocalíptico

Com isso, a produção do filme continuou a todo vapor, até que um dos animadores acidentalmente digitou um código equivocado e deletou cerca de 90% do material que havia sido feito. Para piorar, o sistema de back-ups do estúdio não estava funcionando ao longo do último mês. A catástrofe só foi evitada graças à diretora técnica Galyn Susman, que estava trabalhando remotamente após dar à luz e tinha uma cópia do filme salva em seu computador de casa. No fim, apenas alguns dias de trabalho foram perdidos.

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Corrida contra o tempo

Como se o susto não fosse suficiente, boa parte dos funcionários do estúdio não estavam satisfeitos com o filme — incluindo o todo poderoso John Lasseter. Após assistir às cenas já finalizadas, ele marcou uma reunião de emergência com a Disney e os alertou de que seria impossível lançar o filme naquele estado, sob risco de manchar a reputação da Pixar eternamente.

Os executivos da gigante discordaram e duvidaram que fosse possível construir outro filme dentro dos 9 meses, mas o animador não deu ouvidos. Lasseter assumiu a produção e se encarregou de desenvolver os melhores gráficos possíveis, enquanto Ash Brannon ficou a cargo da história e Lee Unkrich, da montagem.

Após os nove meses de trabalho árduo, membros da equipe desenvolveram Síndrome do Túnel do Carpo e lesões por esforço repetitivo, tendo passado tempo demais com as mãos no teclado. Segundo um dos fundadores da Pixar, Ed Catmull, um terço do corpo da empresa foi acometido por questões de saúde do tipo. Em um dos casos mais graves de devoção total ao trabalho, um animador esqueceu o próprio filho bebê no banco de trás do carro. Equipes de resgate foram acionadas e salvaram a criança, mas a anedota serviu de alerta para que a empresa se atentasse à qualidade de vida de seus animadores no futuro.

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Apesar dos pesares, tanto esforço culminou em Toy Story 2, lançado nos cinemas entre novembro e dezembro de 1999. Hoje, o filme é um dos poucos a ter 100% de aprovação da crítica no agregador Rotten Tomatoes e conta com quase meio bilhão de dólares arrecadados nas bilheterias. Ele foi, porém, o último filme da Pixar a ser feito em tão pouco tempo. Entre Toy Story 4 e 5, oito anos se passaram.

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