Convocado como ‘Neymar da política’, Joaquim Barbosa tem desempenho pífio em pesquisa
Pré-candidato ao Planalto nas eleições de 2026, o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa (DC) soma cerca de 1% das intenções de voto em todo o país, segundo pesquisa Datafolha publicada no último sábado, 20. O dado é uma péssima notícia para o Democracia Cristã, uma vez que o partido havia barrado a campanha do ex-ministro Aldo Rebelo e anunciado Barbosa buscando, justamente, melhorar odesempenho eleitoral.
Na pesquisa Datafolha anterior, de maio, Aldo Rebelo não havia atingido 1% dos votos no primeiro turno. Uma semana antes, o presidente do DC, João Caldas, anunciara que o ex-ministro da Defesa deixaria a campanha para dar lugar a Barbosa — decisão tomada à revelia de Rebelo e de boa parte do partido, deflagrando uma crise interna que levou até a ameaças de apedrejamento.
Questionado por VEJA na ocasião, Caldas disse que Aldo Rebelo era um “candidato inviabilizado” e chamou Joaquim Barbosa de “Neymar da política brasileira”. Rebelo, ex-presidente da Câmara que chefiou quatro ministérios nos governos Lula e Dilma, contestou a troca de candidato e chegou a ser expulso do partido, mas reverteu o cenário na Justiça e afirma que permanece na campanha. “A Justiça garantiu o meu direito a levar minha pré-candidatura até a convenção do partido. Até o momento não houve a oficialização de nenhuma outra pré-candidatura”, diz.
O próprio Barbosa, por sua vez, pouco se pronunciou sobre a pré-candidatura lançada em seu nome há mais de um mês. Na semana passada, o ex-ministro do Supremo criou novos perfis nas redes sociais e publicou que “estuda a possibilidade de disputar o emprego mais difícil e complexo do país”.
Até então, a única “aparição pública” do candidato Joaquim Barbosa havia ocorrido em maio, quando o DC divulgou um vídeo falso, gerado por inteligência artificial, em que o ex-ministro aparecia declarando: “Chegou a hora de virar a página”. O próprio Barbosa não gostou do deepfake eleitoral.
Esta é a terceira eleição em que Joaquim Barbosa ensaia uma estreia nas urnas. Presidente do STF entre 2012 e 2014, o ex-ministro atua na advocacia privada desde 2015 e nunca exerceu um cargo eletivo — em 2018 e 2022, ele chegou a ventilar uma candidatura presidencial pelo PSB, mas anunciou sua desistência antes da campanha por motivos pessoais.