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Copa do Mundo não deve alterar trajetória da inflação nem dos juros, avalia especialista

02 de Julho de 2026, 13:05 0 visualizações
Copa do Mundo não deve alterar trajetória da inflação nem dos juros, avalia especialista

O aumento do consumo durante a Copa do Mundo dificilmente será suficiente para alterar a trajetória da inflação ou dos juros no Brasil. Apesar de o torneio movimentar setores como alimentação, bebidas e eletrônicos, o impacto tende a ser temporário e não deve influenciar as próximas decisões do Banco Central sobre a taxa Selic. A avaliação é de Felipe Castello Branco, sócio e private banker da Blackbird Investimentos, para quem os principais determinantes da política monetária continuam sendo o cenário fiscal, o mercado de trabalho e as incertezas no ambiente internacional.

Segundo o especialista, a Copa costuma concentrar o consumo em um curto período, o que pode provocar alguma pressão pontual sobre os preços, mas sem efeitos duradouros. “É um movimento sazonal. A Copa pode gerar uma inflação de curto prazo, mas dificilmente altera a trajetória dos juros. O Banco Central olha para esse tipo de movimento como algo passageiro, e não estrutural”, afirma.

Nem mesmo o aumento do número de brasileiros viajando ao exterior para acompanhar o torneio representa um risco relevante para a economia. Casos de pessoas que recorrem a empréstimos para financiar a viagem refletem muito mais uma questão de planejamento financeiro individual do que um fator capaz de influenciar os indicadores macroeconômicos. “Estamos falando de uma parcela muito pequena da população. Isso pode gerar endividamento para algumas famílias, mas não tem força para produzir um impacto relevante sobre a inflação brasileira”, diz.

Os fatores que realmente podem influenciar os próximos passos da Selic continuam sendo outros. Entre eles estão o conflito entre Estados Unidos e Irã, que voltou a pressionar os preços internacionais do petróleo, a trajetória das contas públicas brasileiras e a manutenção de um mercado de trabalho ainda aquecido. “O ambiente geopolítico continua sendo um ponto de atenção, especialmente pelos efeitos sobre o petróleo. Ao mesmo tempo, a política fiscal e as medidas de estímulo à economia podem prolongar as pressões inflacionárias”, explica Felipe.

O especialista lembra que o próprio Banco Central já sinalizou que o processo de convergência da inflação para a meta deve ser mais lento do que o esperado. Nesse contexto, a evolução do cenário fiscal e das propostas econômicas que devem ganhar força com a aproximação das eleições presidenciais tende a ter um peso muito maior sobre a política monetária do que eventos pontuais de consumo.

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