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Cristina Kirchner diz ser vítima de machismo e pede que ONU revise condenação por corrupção

29 de Julho de 2026, 19:12 6 visualizações
Cristina Kirchner diz ser vítima de machismo e pede que ONU revise condenação por corrupção

A ex-presidente argentina Cristina Kirchner anunciou nesta quarta-feira, 29, que levou seu caso perante o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas para uma revisão de sua condenação por corrupção, argumentando que o processo foi marcado por irregularidades e teve como objetivo impedi-la de disputar futuras eleições.

Em carta aberta, intitulada “O custo democrático da politização da Justiça”, a ex-líder da Argentina (2007-2015) afirmou que as decisões da Justiça do país contra ela configuram graves violações de direitos humanos.

“A proscrição perpétua é, na realidade, a pena principal. A privação da liberdade por seis anos é apenas a acessória”, declarou Kirchner. “Querem impedir que uma parte do povo argentino possa voltar a escolher livremente o projeto que representa suas esperanças”, acrescentou.

Kirchner também se disse vítima de “um machismo estrutural que ainda subsiste em setores do sistema judicial argentino”.

Durante uma coletiva de imprensa em Buenos Aires, o advogado da ex-presidente, Carlos Beraldi, disse que as garantias de defesa de Kirchner foram violadas ao longo do julgamento.

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Se o comitê da ONU decidir que houve direitos violados, pode emitir recomendações pedindo ao Estado medidas de reparação.

Condenação e prisão domiciliar

Kirchner, de 73 anos, cumpre prisão domiciliar em Buenos Aires após ter sido condenada, em 2025, a seis anos de prisão e à inelegibilidade perpétua para exercer cargos públicos por fraude na contratação de obras públicas durante seu mandato.

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No mês passado, a Justiça da Argentina emitiu uma advertência formal à ex-presidente, alertando que pode revogar a prisão domiciliar caso ela viole as condições estabelecidas ao “perturbar a tranquilidade da vizinhança”, após centenas de pessoas se reunirem em frente à sua casa sob o lema “Cristina livre”.

A Justiça a repreendeu por sua suposta participação na instalação de uma enorme bandeira que uniu sua varanda, em um segundo andar da rua San José, na capital argentina, com um edifício vizinho, com a frase “De San José à Rosada”, em alusão à sede do governo.

A inabilitação de Kirchner para ocupar cargos públicos abriu um debate dentro do peronismo, principal força da oposição ao presidente direitista, Javier Milei. Sua liderança “já havia sido desafiada por vários governadores”, antes de sua condenação, disse o analista político Andrés Malamud à agência de notícias AFP. “Sua prisão acelerou não a sucessão, mas a fragmentação do peronismo”, acrescentou.

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