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Cubanos cada vez mais fazem as malas e desembarcam no Brasil

08 de Agosto de 2026, 11:00 2 visualizações
Cubanos cada vez mais fazem as malas e desembarcam no Brasil

Em busca de uma vida melhor do que a que levava em Cuba, onde seu salário de recepcionista de hotel evaporava em uma única ida ao mercado, Maribel Rodríguez, 38 anos, deixou tudo para trás e trocou a ilha pelo Brasil. Em contato com uma rede de compatriotas em situação semelhante, pôs o plano em prática e, em maio, desembarcou em Curitiba, com emprego garantido em um restaurante. “As diferenças são muito claras. Aqui é um lugar bom para morar e trabalhar”, diz Maribel. Não está sozinha. Segundo estudo do Observatório das Migrações Internacionais, em 2025 os cubanos assumiram a liderança nos pedidos de refúgio no Brasil — cerca de 42 000 (55% de todas as solicitações), o dobro dos venezuelanos. Em 2026, a onda segue. A maior parte entra no país pela fronteira norte, e o destino final é a capital do Paraná, a meca dos refugiados. “Não há muitas opções para quem quer sair e precisa vender tudo o que tem só para comprar a passagem”, diz José Ramírez, 57 anos, que agora trabalha em uma empresa de refrigeração.

Infográfico DIÁSPORA LATINA mostra que cubanos superam venezuelanos em pedidos de refúgio no Brasil nos primeiros quatro meses de 2026. Bandeiras de Cuba e Venezuela acima de dois círculos. O círculo azul maior, representando cubanos, tem 13.414. O círculo amarelo menor, representando venezuelanos, tem 4.274. Fonte: Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra)

A viagem não é fácil. A maioria voa para a Guiana, que não exige visto, e de lá cruza a Amazônia, um trajeto irregular e arriscado. “Com o endurecimento da política migratória americana, a América Latina passou de corredor a lar pretendido pelos cubanos”, diz María Moita, diretora regional da Organização Internacional para as Migrações (OIM). Essa tendência, segundo ela, requer adaptação dos governos, um trabalho em que o Brasil ganhou experiência com o alto volume de venezuelanos que aqui chegaram fugindo das agruras do governo de Nicolás Maduro. O êxodo cubano, por sua vez, é resultado direto do acirramento de uma crise na ilha caribenha devido ao bloqueio, por Donald Trump, das importações de petróleo — no início do mês, o país registrou o sexto apagão nacional neste ano, acompanhado de protestos nas ruas e panelaços. Cansados e impotentes, soterrados pela história, os cubanos cada vez mais fazem as malas, dão as costas à Flórida (desde sempre seu destino preferencial) e desembarcam no Brasil.

Publicado em VEJA de 7 de agosto de 2026, edição nº 3007

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