Dark Horse: Filme sobre Bolsonaro custou R$ 75 milhões, segundo produtora
O filme Dark Horse, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e com o ator americano Jim Caviezel como intérprete do político, teve custo declarado de pelo menos 75,1 milhões de reais, segundo documento apresentado pela defesa da empresária e produtora Karina Ferreira da Gama à Polícia Civil de São Paulo. O valor passou a integrar um inquérito que investiga possíveis irregularidades envolvendo contratos públicos firmados por organizações ligadas à empresária.
No centro da investigação está a relação entre a produtora Go UP Entertainment, responsável pelo longa, e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG também comandada por Karina. O instituto assinou, em 2024, um contrato de 108 milhões de reais com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de wi-fi em regiões periféricas da capital. A coincidência de endereço entre as duas entidades e inconsistências apontadas na prestação de contas são alvo de desconfiança de investigadores.
De acordo com o laudo anexado ao processo, a produção teria consumido cerca de 54 milhões de reais no exterior e outros 20,9 milhões de reais no Brasil. Em dólares, o longa teria custado 13,39 milhões na moeda americana de acordo com um documento elaborado por um perito contratado pela defesa, que afirma não ter identificado repasses governamentais ou recursos públicos destinados ao filme. No entanto, não apresenta notas fiscais, recibos ou outros comprovantes capazes de sustentar os valores informados.
A investigação também se debruça sobre a estrutura financeira que viabilizou a produção. A própria Karina declarou anteriormente que cerca de 90% do orçamento foi obtido por intermédio do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master que atualmente está preso. Segundo informações já divulgadas pela empresária, Vorcaro teria viabilizado aproximadamente 61 milhões de reais para o projeto por meio de um fundo sediado nos Estados Unidos. O banqueiro enfrenta problemas judiciais e é apontado em investigações relacionadas ao sistema financeiro.
As autoridades agora tentam esclarecer se houve qualquer cruzamento entre recursos vinculados ao contrato municipal e os valores empregados no longa. Outro ponto de interesse é a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas negociações de financiamento. Informações divulgadas anteriormente indicam que o parlamentar teria atuado na busca por investidores para a obra, incluindo tratativas que envolveriam cifras superiores a 24 milhões de dólares.
Enquanto a investigação avança, a produção segue em fase de pós-produção, com trabalhos de sonorização e efeitos visuais. Segundo Karina Ferreira da Gama, a equipe ainda busca novos aportes financeiros para concluir o projeto, embora a maior parte do orçamento já tenha sido usada.
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